as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Domingo, 23 de Maio de 2010
VICTOR HUGO PONTES NO "INTRADANCE" DE MOSCOVO

“Longe daqui” é o título da coreografia de Victor Hugo Pontes que se estreou no sábado, em Moscovo, com o grupo “Liquid Theatre”. A estreia é no contexto do festival “Intradance”, iniciativa da União Europeia, que junta coreógrafos de países da UE com companhias russas. “Em Março do ano passado escolheram 7 coreógrafos europeus para dirigir 7 companhias da Rússia. É nisto que consiste o projecto “Intradance”, explicou ao JN Victor Hugo Pontes, adiantando que “concorreram 101 coreógrafos e 33 companhias russas”. As 7 companhias russas foram escolhidas ainda de modo a serem de cidades diferentes. Victor Hugo Pontes ficou em Moscovo, precisamente com o “Liquid Theatre”. “Longe daqui”, não significa “longe da Rússia”, mas “longe do espaço em que eles estão, é esta vontade de ir longe à procura da felicidade, tentar perceber o desconhecido, esta atracção que nos faz mover ”, confiou o coreógrafo. A coreografia foi feita a pensar nos actores do “Liquid Theatre” que, como explicou Victor Hugo Pontes, não são uma companhia de dança mas “actores em movimento”. “Eu tive que construir a peça a partir deles. Eles têm corpos e fisicalidades muito diversas, por isso é muito difícil que a peça possa vir a ser apresentada por outros intérpretes”. No entanto, o coreógrafo não exclui que o público português a possa vir a ver, “mas interpretado pelo Liquid Theatre”. Victor Hugo Pontes conta com o apoio dos músicos, Rui Lima e Sérgio Martins e da desenhadora de luzes Wilma Moutinho.

(texto escrito para o JN)

 



publicado por edguedes às 13:48
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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
RÚSSIA E POLÓNIA DEPOIS DE SMOLENSK

 

NA RÚSSIA DEPOIS DE SMOLENSK

 

(tradução dum artigo feito, em italiano, para a revista Città Nuova)

 

Passaram-se alguns dias desde o momento da tragédia em que perdeu a vida o presidente Lech Kaczynski, perto da cidade russa de Smolensk, mas defronte à embaixada da Polónia em Moscovo, o passeio continua atapetado de flores. Duas senhoras aproximam-se para colocar dois maços de flores muito bem apresentados. Aproximo-me interessado em saber se elas têm alguma relação especial com a Polónia. “Não, nada de especial, ou seja, estive lá há alguns anos atrás”, diz-me uma. “Em tempos escrevia-me com uma rapariga da Polónia”, acrescenta a outra. O verdadeiro motivo desta manifestação de solidariedade é a dor de um povo que não pode deixar-nos indiferentes. “Esperemos que, depois desta tragédia, as relações entre os nossos países se tronem mais fraternas e que os governantes percebam esta nossa exigência”, acrescenta ainda, enquanto se dirige para o portão da embaixada.

O fenómeno da solidariedade em relação ao povo polaco na hora da tragédia viu-se um pouco por todo o lado. Mas na Rússia este acidente provocou um certo desconcerto. O acidente deu-se em território russo e num contexto um bocado incómodo. Katin, para onde se dirigia o chefe de Estado polaco, recorda uma das páginas mais chocantes da história da URSS, infelizmente semelhante a várias outras. Polígonos onde se deram execuções em massa há muitos no território que agora é a Federação Russa. Sobretudo na segunda metade dos anos trinta, do século passado, as eliminações sistemáticas repetiam-se em vários locais da Rússia. Talvez por isso, os russo não percebem muito o porquê da insistência polaca sobre “o processo de Katin” (esta designação aplica-se não só ao fuzilamento dos 4400 oficiais na floresta de Katin, mas ao conjunto dos 22 mil executados em vários campos de prisioneiros).

Lech Kaczynski não tinha certamente um grande amor à Rússia. Durante o seu mandato, ele esteve em território russo só uma outra vez, e foi para visitar Katin, sem passar por Moscovo e sem se encontrar com nenhum governante russo. A ideia de que, até hoje, Moscovo não fez o bastante para reconhecer o que se passou em 1940, continua a pesar nas relações entre os dois países. No entanto, na hora da desgraça parece que ninguém tem vontade de recordar as velhas incompreensões. Para além das medidas que seriam de obrigação de fronte a um acontecimento tão chocante como o do acidente que vitimou Kaczynski e a sua comitiva, as autoridades russas tomaram algumas medidas pouco comuns (aqui por estes lados), como a admissão de investigadores polacos em todas as fases das investigações sobre o acidente. Também em sinal de solidariedade, o primeiro canal da televisão russa exibiu o filme “Katin”, do realizador polaco Andrzej Wajda, no dia seguinte ao da tragédia de Smolensk (o filme tinha sido exibido também poucos dias antes, mas no canal Cultura, de pouca audiência, e com um debate crítico em seguida). Por vezes a dor dá a coragem de ter um olhar mais realístico sobre os factos, o que dá esperança de que as relações se possam tornar mais sinceras depois da tragédia.

 

_______________________________________________

 

De alguns extractos da Imprensa.

Se nos primeiros momentos depois da tragédia se podia pensar que se iriam levantar novas suspeitas para deteriorar ainda mais as relações entre russos e polacos, o facto é que o efeito tem sido o contrário. Cito dois casos que chegaram à Imprensa russa.

 

Deputado polaco pediu desculpa:

O deputado polaco Artur Gursky, membro do partido “Lei e Justiça”, fundado pelos gémeos Kaczynski, pediu desculpas pelas suas declarações feitas no dia o acidente aéreo. Nessa altura Gursky tinha declarado aos jornalistas que “Moscovo tinha não só responsabilidades morais pela tragédia de Smolensk”, mas adiantou que “a Rússia não queria ver o presidente polaco nas cerimónias de Katin”, para não obscurecer o encontro dos dois primeiros-ministros que tinha ocorrido ali três dias antes. Às desculpas Gursky acrescentou a justificação de que aquelas suas declarações tinham sido feitas ainda sob o efeito do choque, quando se dirigia no comboio para Smolensk “num estado de completo desespero e desconcerto”.

 

Grupo de cidadãos polacos agradece:

No portal Onet.pl apareceu um texto intitulado “Spasiba!” (seria obrigado em russo, mas devia ser escrito com um “o” no fim em vez do a. A ortografia é secundária no contexto). Neste um grupo de cidadãos polacos agradecem aos russos a ajuda e a solidariedade, demonstradas na sequência do acidente aéreo de Smolensk. Como “filhos espirituais de João Paulo II” eles dizem que não podem deixar ficar sem resposta essa solidariedade. O texto foi assinado, ao longo do primeiro dia, por cerca de dez mil pessoas. Os autores afirmam que esta tragédia serviu para que os dois povos dessem um passo para se aproximarem.

 



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Quinta-feira, 8 de Abril de 2010
RE-START

(texto que saíu na edição de papel do JN e não no "on-line")

 

PRIMAVERA DE PRAGA, NUCLEAR

Vai ser hoje assinado em Praga o novo acordo entre os EUA e a Rússia sobre redução de armamento nuclear estratégico (START). O acontecimento, já definido por alguns observadores com a “primavera nuclear de Praga”, impõe fortes reduções ao arsenal nuclear das duas principais potências e abre novas perspectivas no campo da não proliferação das armas nucleares. De acordo com o politólogo Vladimir Orlov, conselheiro do Ministério da Defesa da Rússia, “ não há vencidos neste acordo”, e adianta que a comunidade internacional também sai vencedora. “Abre as portas a ulteriores reduções do armamento nuclear, em grande escala, de todas as potências nucleares”, explica Orlov.

O novo acordo prevê um limite, de 1550 ogivas, enquanto os vectores, quer se tratem de mísseis balísticos intercontinentais, instalados em submarinos ou colocados em bombardeiros estratégicos, não podem ultrapassar os 700. Entrando em conta com os mísseis que não estão montados, o total não pode ir além de 800. Os acordos actuais limitam a 2200 as ogivas e a 1600 o número de mísseis.

No entanto, Moscovo anunciou que vai anexar ao acordo uma declaração unilateral, por causa das divergências com Washington sobre defesa anti-míssil (NMD). Se os EUA desenvolverem o NMD de forma a condicionar o potencial estratégico russo, a Rússia poderá renunciar ao acordo.

 

(outros comentários)

 

Evgueni Bujinski, que foi vice-chefe do departamento de acordos internacionais do Ministério da Defesa da Rússia, em resposta a uma minha pergunta sobre o conteúdo e a necessidade da prometida “declaração” russa, a anexar ao acordo de Praga:


...do ponto de vista do direito dos acordos, cada uma das partes tem o direito, se acha que no acordo não entrou alguma questão que consideram preocupante, cada uma das partes pode... (fazer uma declaração unilateral). Poderia haver uma declaração acordada, penso que destas vai haver uma dezena. Mas uma declaração acordada a respeito da Defesa anti-míssil não é possível, porque as nossas posições divergem das dos americanos. Na minha opinião, o que está no acordo, que cada uma das partes tem o direito de renunciar ao acordo se considerar que os seus interesses estão ameaçados, é suficiente. Mas para sublinhar ainda pode-se fazer uma declaração unilateral, no momento da assinatura. Não há nada de fora do comum nisto.




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Sábado, 3 de Abril de 2010
"SHAKHIDKA"

 

 

 

(publicados na edição de papel do JN, e que não apareceram no “on-line”)


(enviado a 02.04.10)


IDENTIFICADA UMA DAS “TERRORISTAS” DO METROPOLITANO DE MOSCOVO

A agência “Novosti”, citando fontes do Comité Nacional Anti-terrorismo, confirmou que são já conhecidas as identidades dos executores e organizadores dos recentes atentados no “metro” de Moscovo, cujo número de vítimas, entretanto, se elevou para 40. De acordo com a fonte citada uma das suicidas, seria Djanet Abdurakhmanova (ou Abdulaieva), nascida em 1992, residente na região de Khasaviurt, república do Daguestão, que constava da base de dados das autoridades locais, como elemento que “professa o “wahhabismo” e com tendência para actividades extremistas”. A motivação da jovem poderia ser a vingança da morte do seu marido, Umalat Magomedov, de 30 anos, um dos líderes dos rebeldes do Daguestão, morto no decorrer de uma operação levada a cabo pelo FSB e pela polícia, em 31 de Dezembro de 2009. Ao que parece, Djanet travou conhecimento com Magomedov através da internet, quando tinha apenas 16 anos, e depois seguiu-o. Magomedov era acusado de uma série de atentados e era um elemento de confiança do líder dos rebeldes, Doku Umarov. Recorde-se que Umarov reivindicou a autoria dos atentados de Moscovo, afirmando que eram um acto de retaliação pela morte de alguns camponeses na localidade de Archti, Inguchétia, a 11 de Fevereiro. Conforme refere a“Novaia Gazeta”, naquela data, durante uma operação militar contra um grupo rebelde, foram mortos quatro camponeses chechenos que recolhiam, alho selvagem, uma actividade das camadas mais pobres da população. Nos corpos das vítimas haveria indícios de tortura.

 

(enviado a 01.04.10)


MEDVEDEV QUER MEDIDAS DURAS CONTRA O TERRORISMO

O presidente russo, Dmitri Medvedev deslocou-se ontem, inesperadamente à república do Daguestão. Em Makhatchkala, a capital, Medvedev afirmou que o terrorismo devia ser combatido, em todo o mundo, com medidas “não só eficazes, mas também duras, cruéis e preventivas”, e sublinhou que “é preciso castigar”. Entretanto o chefe do Serviço Federal de Segurança, Alexandre Bortnikov, informou que são já conhecidos os organizadores dos atentados em Moscovo e em Kizliar, adiantando que um certo número de pessoas tinha já sido detido e que se estava a proceder aos interrogatórios.

Segundo o jornal “Kommersant”, uma das terroristas seria Markha Ustarkhanova, de 20 anos, viúva de um guerrilheiro, Said-Emin Khizriev, morto em Outubro do ano passado. Ela era considerada desaparecida, mas a polícia tinha recebido a informação de que ela pretendia ser uma “shahid” (suicida) para vingar a morte do marido. Segundo a família, ela teria iniciado os contactos com os guerrilheiros através da internet. De acordo com o portal russo “Life News”, as duas suicidas teriam apanhado um autocarro para Moscovo precisamente em Kizliar, no Daguestão, onde se verificaram outras duas explosões na quarta-feira. Supõe-se que as “terroristas” viajaram 36 horas levando, à cintura, o cinto de explosivos.

 



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Quinta-feira, 1 de Abril de 2010
AINDA ATENTADOS

(Textos enviados para o JN que saíram só na edição de papel)

 

NOVOS ATENTADOS SUICIDAS EM TERRITÓRIO RUSSO

Um duplo atentado suicida, no Daguestão, provoca 12 mortos e 29 feridos. Quando as autoridades russas falam em aumentar as medidas de segurança, o terror atinge directamente as forças da ordem, numa região que não teve tranquilidade nas últimas duas décadas.


No dia em que em Moscovo tinham início os funerais das vítimas dos atentados de segunda-feira, que vitimaram 39 pessoas e deixaram 95 feridos, outros dois engenhos explodiram na Rússia, desta vez em Kizliar, uma cidade da república do Daguestão, junto confim com a Chechénia. O duplo atentado foi cometido no mesmo lugar, perto dos quartéis da polícia e do Serviço Federal de Segurança. A primeira explosão, às 8.42 (hora local), foi provocada por um automóvel que levava uma quantidade de explosivos correspondente a 200 quilos de trotil, conduzido por um suicida, que accionou o engenho quando dois agentes da polícia o tentaram obrigar a parar. A explosão matou os dois polícias e uma mulher que ia a passar. No chão ficou uma cratera com um raio de 5 metros e uma profundidade que atingiu os 2 metros. Pensa-se que o objectivo do “kamikaze” era o quartel da polícia. Passados 35 minutos, um suicida vestido com um uniforme da polícia, fez explodir um segundo engenho, de cerca de 2 quilos de trotil, entre os agentes das forças de segurança que estava a examinar o local do incidente, matando 9 pessoas, entre as quais o chefe da polícia de Kizliar, Vitali Vedernikov. De acordo com as autoridades, o autor da segunda explosão foi identificado como sendo, Daud Djabrailov, habitante Kizliar. Algumas testemunhas fizeram notar que no local se encontravam já os cães especialmente treinados para detectar a presença de explosivos mas não reagiram à passagem do suicida. Tanto o presidente Dmitri Medvedev, como o primeiro-ministro Vladimir Putin, consideram que os atentados em Moscovo e em Kizliar podem ser “elos da mesma cadeia”.

 

LÍDER REBELDE REIVINDICA ATENTADO

 

Num vídeo divulgado pelo portal dos rebeldes chechenos, o seu actual líder, Doku Umarov, afirma que os atentados cometidos no metropolitano de Moscovo foram organizados por ordem sua. Umarov, que se apresenta como o “emir do Emirado do Cáucaso” argumenta que as explosões foram uma acção de retaliação por causa “do massacre feito pelos ocupantes russos” relativamente “aos habitantes mais pobres da Chechénia e da Inguchétia” que “recolhiam alho selvagem para alimentar as próprias famílias”, perto da povoação de Archti, “a 11 de Fevereiro de 2010”. Umarov garantiu que estas acções de vingança vão continuar e deixou um aviso aos habitantes da Rússia, que “não vão ver a guerra no Cáucaso tranquilamente pela televisão”, porque “a guerra vai chegar às vossas ruas e vão senti-la nas vossas próprias vidas e nas vossa própria pele”.

Anteriormente tinha sido divulgada uma gravação, supostamente da voz de Umarov, em que este afirmava não ter nenhuma responsabilidade e que a autoria dos atentados era do FSB.

 

CÁUCASO INSTÁVEL

 

A instabilidade no Cáucaso do Norte não é uma novidade. A Chechénia é certamente o caso mais conhecido, pelas suas exigências separatistas que levaram a duas guerras devastadoras. No entanto, o aparecimento de grupos extremistas tem-se vindo a manifestar em várias regiões do Cáucaso russo. O Daguestão tem sido cenário de atentados constantes, mesmo sem reivindicações separatistas. O terrorismo no Daguestão tem sido sobretudo contra as autoridades locais e, por vezes. Só no corrente ano foram cometidos 9 atentados bombistas, a maioria contra as forças da ordem. Na Inguchétia, a situação piorou nos últimos anos, em parte porque se tornou o refúgio de alguns grupos rebeldes da Chechénia. As tentativas de repressão dos rebeldes frequentemente tiveram consequências negativas sobre a população, levando a uma onda de descontentamento que só abrandou com a nomeação do novo presidente da Inguchétia. Os atentados, têm sido pelo menos tão frequentes como no Daguestão, e o presidente Iunos-Bek Evkurov quase perdia a vida num atentado bombista, em Junho do ano passado. Há ainda um conflito latente entre os habitantes da Inguchétia e da Ossétia do Norte, por causa de uma redefinição das fronteiras imposta pelo regime soviético. A vizinha Kabardino-Balkaria, tem visto o despontar regular de grupos extremistas, que em algumas ocasiões geraram situações de grande violência. Em Outubro de 2005, um grupo extremista atacou vários postos da polícia em Naltchik, a capital. As forças russa repeliram o ataque com facilidade, abatendo quase todos os “rebeldes”. A cidade ficou em choque. Eram muito jovens, quase todos habitantes de Naltchik. “O rapaz do prédio ao lado”, era a expressão usada para explicar o choque psicológico que se acrescentava ao susto do tiroteio.

Quase todos os observadores concordam em que os problemas do Cáucaso não podem ser resolvidos só pela força, mas que exigem a criação de condições económicas, culturais e religiosas que permitam perspectivas duma vida próspera e serena.



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Quarta-feira, 31 de Março de 2010
METROPOLITANO DE MOSCOVO - 3. Nas estações 2 dias depois

 

O “metro” hoje já estava cheio à cunha, como de costume. Temos as impressão de que as pessoas se olham com uma certa desconfiança, e imagino que se entrasse uma mulher com aspecto de “ser do Cáucaso”, as outras pessoas iam ficar com a respiração suspensa até ao fim do percurso. Mas o facto é que mesmo a 2ª carruagem que se dirigia do centro para a “Lubianka”, aquela em que a primeira explosão se deu, ia cheia de gente corajosa (como eu...). Por outro lado, dizem os militares que um obus não cai na cratera feita por outro.

Hoje temos mais explosões provocadas por suicidas, mas no Daguestão. Pode parecer longe, mas o ritmo assusta um bocado. Curiosamente, o líder dos rebeldes chechenos, Doku Umarov, diz que não tem nada a ver com o assunto, e que os culpados são os serviços secretos russos... Noutras alturas perecia que ele queria reivindicar tudo o que era atentado, mesmo o que era pouco provável que resultasse duma “pista chechena”.

 

 

ESTAÇÃO DO METROPOLITANO "LUBIANKA"

 

 

 

 

 

ESTAÇÃO "PARK KULTURI"

 



publicado por edguedes às 11:31
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Terça-feira, 30 de Março de 2010
METROPOLITANO DE MOSCOVO - 2

 

AINDA O CÁUCASO POR DETRÁS DAS EXPLOSÕES EM MOSCOVO

Os atentados nas duas estações do metropolitano de Moscovo provocaram 38 mortos, e 63 pessoas se encontram hospitalizadas, algumas em estado muito grave. As autoridades afirmam que os os autores foram duas mulheres suicidas, oriundas do Norte do Cáucaso (Chechénia), e prometem dar cabo dos organizadores.

Ao princípio da noite de ontem, o presidente Dmitri Medvedev foi depor um ramo de flores na estação de metropolitano “Lubianka”, a primeira onde explodiu um engenho ao princípio da manhã. “Eu não tenho dúvidas: havemos de os apanhar e dar cabo deles”, afirmou o presidente russo referindo-se aos presumíveis organizadores do atentado. Entretanto eram já conhecidos alguns detalhes relativos às investigações sobre os atentados cometidos no “metro” de Moscovo. A observação dos corpos e as gravações das câmaras de vigilância do metropolitano permitiam colocar a polícia na pista de três cúmplices. Segundo a agência Interfax, trata-se de duas mulheres de aparência eslava e um homem, filmados em companhia das duas suicidas na estação de “Iugozapanaia”, onde teriam iniciado o percurso. De acordo com o representante da Comissão de Instrução da Procuradoria, Vladimir Markin, “no local da tragédia foram identificados fragmentos de corpos com lesões características”, que permitem identificar que se trata da pessoa que levava o engenho à cintura e deduzir que os explosivos se encontravam a uma altura de cerca de 120 centímetros. Recorde-se que a primeira explosão se deu na estação “Lubianka”, à 7.57, com uma potência equivalente a cerca de 4 quilos de trotil, enquanto que a segundo ocorreu 40 minutos mais tarde, na estação “Park Kulturi”, com uma potência de cerca de 2 quilos de trotil. Ambos os engenhos explodiram quando a composição estava parada na estação e com as portas abertas. O procurador geral, Iuri Tchaika, afirmou que neste segundo caso os serviços especiais descobriram um segundo “cinto” de explosivos que a suicida levava, e que não explodiu. Uma fonte da agência Interfax referiu que se tratava de mulheres muito jovens. Uma delas provavelmente entre os 18 e os 20 anos, com aspecto de ser do Cáucaso.

A versão de que se trate de um atentado organizado por um grupo rebelde do Cáucaso, tinha já sido citada oficialmente durante a manhã de ontem pelo director do Serviço Federal de Segurança, Alexandre Bortinikov, durante uma reunião com o presidente. Segundo o presidente da Comissão Parlamentar para a Segurança, Vladimir Vassiliev, a referência imediata ao Cáucaso numa altura em que as investigações estavam ainda no início pode não ter parecido muito oportuna, mas foi um aviso necessário à população. “Tinham-se se dado duas explosões e não se sabia se poderia haver outras”, explicou Vassiliev. Na sua opinião houve falhas dos serviços segurança no que respeita à possível prevenção destes atentados.

 



publicado por edguedes às 11:32
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METROPOLITANO DE MOSCOVO - 1

EXPLOSÕES NO METRO DE MOSCOVO PROVOCADAS POR SUICIDAS

As duas explosões ocorridas no metropolitano de Moscovo foram provocadas por duas mulheres suicidas, de acordo com as informações oficiais. O balanço é de 37 mortos e de 62 feridos, segundo o Ministério das Situações de Emergência da Rússia. Cerca de metade dos feridos encontra-se em estado grave.

A primeira explosão ocorreu na estação “Lubianka”, às 7.57, hora local, numa altura em que o movimento naquela estação é bastante intenso. Segundo as autoridades a o engenho explosivo correspondia a uma potência de 3 quilos de trotil, e foi accionado no momento em que as portas da carruagem se encontravam abertas, na segunda carruagem do comboio, atingindo também as pessoas que estavam na estação. Morreram 23 pessoas e 39 sofreram ferimentos de vário níveis de gravidade. Note-se que na praça Lubianka fica a sede do Serviço Federal de Segurança (anteriormente KGB) e muita gente entra ao serviço por volta daquela hora. A segunda explosão, com uma potência de 1,5 quilos de trotil, deu-se 40 minutos depois, na estação “Park Kulturi”, na mesma linha do metropolitano e onde esta comunica com outra linha. A explosão deu-se igualmente quando a composição se encontrava parada, mas numa das últimas carruagens da composição. Neste caso as vítimas mortais foram 12 e 23 ficaram feridas. De acordo com as investigações preliminares, os atentados foram levados a cabo por duas mulheres suicidas. Essas conclusões foram estabelecidas pelo exame dos cadáveres no local, conforme afirmou o director do Serviço Federal de Segurança, Alexandre Bortnikov, adiantando que a versão principal é que se trate de um atentado organizado por um grupo terrorista do Cáucaso do Norte.

Recorde-se que em Fevereiro de 2004, um atentado levado a cabo por uma suicida no metropolitano de Moscovo, provocou 41 mortos. Nessa altura o engenho explodiu quando o comboio se encontrava no túnel entre as estações “Avtozavodskaia” e “Paveletskaia”, também numa hora de ponta.



publicado por edguedes às 10:57
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RECOMEÇAR

Os ares da Sibéria não sopram há 3 meses. A culpa é da falta de tempo crónica e a consequente falta de coragem de meter-me outra vez nesta. Depois de pensar muito em remodelar, cheguei à conclusão que não tinha nenhuma ideia genial para fazer uma coisa nova. Apesar disto tudo vou tentar recomeçar a escrever o que se vai passando por aqui. Um dos motivos é que muitas das coisas que mando para o JN não aparecem na edição de papel, porque o "online" tem a sua vida própria. Mas hoje em dia o que não aparece na "net" é como se nunca tivesse existido. E começo exactamente por aí. Os textos que mandei ontem, a propósito dos atentados no "metro", e que não saíram no "online". E já agora algumas fotografias feitas no local.



publicado por edguedes às 10:34
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Sábado, 21 de Novembro de 2009
ASSASSÍNIO DE SACERDOTE CHOCA MOSCOVO

 

 

(Artigo feito para o JN, limitado a 1200 caracteres, e que não apareceu na edição on-line)

 

O padre ortodoxo Daniil Sissoev, foi assassinado na sua igreja, em Moscovo, ao princípio da noite de quinta-feira. De acordo com as testemunhas, por volta da 22.40, o assassino, com o rosto coberto por uma máscara sanitária, entrou na igreja, onde ainda estavam alguns fiéis, perguntou “quem é Sissoev” e quando o sacerdote avançou, disparou quatro tiros. Ficou ferido também o director do coro, Vladimir Strelbitski. As autoridades pensam que o motivo do crime possa estar relacionado com a actividade do sacerdote. Ele era exercia uma actividade intensa entre muçulmanos e membros de seitas, e promovia debates sobre temas religiosos. No seu blog, a 9 de Outubro, Sissoev escreve que recebeu uma ameaça de morte por parte de um muçulmano, e afirma que é já 14ª que recebe, “mas desta vez foi pelo telefone”. No mesmo blog o sacerdote afirma que “quase todos os meses” baptizava muçulmanos. Daniil Sissoev chegou a enfrentar uma causa movida por uma jornalista muçulmana que alegava ter ouvido da boca do sacerdote “palavras carregadas de ódio para com o islão e os muçulmanos”.

No entanto, as autoridades consideram que o crime pode ter sido cometido por membros de seitas, contra as quais o padre Daniil se pronunciava frequentemente.

 

Comentários e informações adicionais.

 

O padre Daniil é descrito por Alexei Makarkin, como um sacerdote “politicamente não correcto”. Isto porque a sua linha era a de não deixar em paz os crentes de outras religiões e membros de seitas. Frequentemente entrava em discussão com quem defendia outros pontos de vista. Era adepto de um apostolado activo e insistente, daí o ter criado uma “escola de missionários de rua”. Makarkin diz que o padre Daniil baptizou, nos últimos anos, mais de 80 muçulmanos. O quadro que se apresenta leva realmente a suspeitar que elementos de grupos intolerantes poderiam ter decidido eliminá-lo.

O padre Daniil era casado e tinha três filhos, o que está de acordo com as tradições ortodoxas. Aliás ele era, por sua vez, filho de um sacerdote. A sua esposa, Iúlia, confirmou ao portal “life.ru” que ele tinha recebido ameaças por e-mail e por telefone. “Eu não sei com quem ele contactava. Ele contactava com muita gente. Não sei se o ameaçavam também pela frente, ou não. Encontrava-se com muita gente, incluindo os líderes de grupos extremistas, tinham discussões. Muitas das suas acções chegavam a um resultado. Baptizava-se até quem antes tinha sido terrorista”, afirmou a viúva. 



publicado por edguedes às 16:37
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