as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
O CASO ANNA POLITKOVSKAIA

 

Às vezes as notícias não são informação, são desinformação. É isso que pensam na “Novaia Gazeta”, o jornal onde trabalhava Anna Politkovskaia relativamente às afirmações recentes do ex-chefe da direcção da comissão de investigação da Procuradoria Geral, Dmitri Dovgui. Dovgui foi demitido e é suspeito de abuso de autoridade. Já despido do seu alto cargo, Dovgui, numa entrevista ao jornal Isvestia afirmou que no caso Anna Politkovskaia as suspeitas de ter encomendado o crime apontavam para o “oligarca” Boris Berizovski, que se encontra em Londres com asilo político. Que algumas “facções” de investigadores envolvidos no caso Politkovskaia tentavam empurrar as pistas para Londres, era uma coisa já conhecida e criticada pelos colegas e familiares da jornalista, que viam nessa tendência o objectivo de obter dividendos políticos para o regime, em vez de se tentar chegar objectivamente aos culpados. A Novaia Gazeta publicou hoje um artigo em que critica as afirmações de Dovgui, com alguma “compreensão” para a sua situação. O ex-chefe da Comissão de Investigação caiu em desgraça e deve evidenciar plena lealdade ao sistema, para tentar uma saída “honrosa” da situação em que se encontra. Mas a Novaia Gazeta, afirmando que não pode adiantar coisas que se encontram no segredo de justiça, vai referindo ligações entre personagens ligados a alguns círculos do crime organizado (mafia chechena, em linguagem corrente) e os serviços especiais, ou mais precisamente o FSB. É sabido que um dos suspeitos detidos no contexto do caso Anna Politkovskaia, é um agente da direcção do FSB, que supostamente teria fornecido as coordenadas da jornalista. Agora a Novaia Gazeta refere um personagem, que foi detido na Ucrânia por tentativa de homicídio, um certo Lom-Ali Gaitukaiev, o qual teria até carteira de agente do FSB, ao que parece da mesma direcção do FSB, onde trabalhava o suspeito coronel Riaguzov. Além disso Gaitukaev é tio de três suspeitos detidos no contexto do caso Politkovskaia, os irmãos Makhmudov, e obviamente também do quarto irmão Rustam Makhmudov, apontado por algumas fontes como e executor do crime, que ainda anda a monte. A questão que pretende levantar o jornal onde trabalhava Anna Politkovskaia é até que ponto é que vão as relações entre as estruturas do crime organizado e dos serviços especiais?

            No entanto, este emaranhado de “polícias e ladrões” não nos ilumina muito para perceber aonde é que se encontra o mandante do crime. Esperemos que seja só o segredo de justiça que impede que se dêem esclarecimentos mais precisos.



publicado por edguedes às 21:11
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