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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008
CASO POLITKOVSKAIA: INVESTIGAÇÃO CONCLUÍDA

A Comissão de Investigação da Procuradoria da Rússia anunciou hoje (18.06), através do seu representante Vladimir Markin, que está concluída a investigação do caso do assassínio da jornalista Anna Politkovskaia, abatida a 7 de Outubro de 2006, com dois tiros, à entrada do prédio onde habitava. Agora o caso vai ser entregue ao tribunal. Na Rússia, os observadores debatem o que é que isso quer dizer. Encontraram os organizadores e executores do crime, ou não? Infelizmente a reposta parece ser “não”. As autoridades têm na cadeia alguns suspeitos, mas são suspeitos provavelmente de terem tido alguma participação no crime, mas sobre os organizadores não se diz nada e o executor, ao que parece já identificado, encontra-se em “parte incerta”.
            Os primeiros resultados das investigações foram anunciados em Agosto do ano passado, pelo procurador geral, Iuri Tchaika. Na altura foram feitas11 detenções, mas alguns dos suspeitos foram postos em liberdade poucos dias depois. Na altura, a família e os colegas de Anna Politkovskaia exprimiram o seu descontentamento pelas declarações do procurador, dado que aquelas notícias poderiam ter o efeito de um sinal de alarme para os culpados. Neste momento, estão detidos três suspeitos de envolvimento no assassínio da jornalista: Serguei Khadjikurbanov, Ibraguim Makhmudov e Djabrail Makhmudov. Os dois Makhmudov são irmãos do suposto executor do assassinato, Rustam Makhmudov. Detido está ainda um oficial do FSB, Pavel Riaguzov, que era suspeito de ter fornecido aos executores a morada de Anna Politkovskaia, directamente das bases de dados dos serviços secretos. No entanto, conforme adiantou Markin, Riaguzov vai comparecer em tribunal, mas para responder por outras acusações, ou seja, por abuso de autoridade e extorsão, relacionados com outros crimes, em parceria com Khadjikurbanov. Há pouco mais de dez dias tinha sido posto em liberdade Chamil Buraiev, ex-administrador da cidade chechena de Atchkhoi-Martan. Na altura da sua detenção fora apontado como um possível organizador. Na base da acusação estava um telefonema com Pavel Riaguzov, no mesmo dia em que este teria acedido à base de dados do FSB, de onde teria obtido o endereço da jornalista. A julgar pelas decisões da Comissão de Investigação da Procuradoria, as autoridades têm na mão apenas três suspeitos e não os mais importantes.
 
            Dmitri Muratov, chefe da redacção da Novaia Gazeta, onde trabalhava Anna Politkovskaia, considera que é cedo para afirmar que o caso está desvendado. “Nós consideramos que as investigações estão no caminho certo. Muito foi feito, mas não se pode interpretar isso como que as investigações chegaram ao fim e que o crime está desvendado. O assassino encontra-se em liberdade e não está determinado quem encomendou o crime”, declarou ontem Muratov à agência Interfax. O chefe de redacção da Novaia Gazeta chamou ainda a atenção para as fugas de informação que se verificaram nalguns momentos do processo e que possibilitaram ao executor evitar a detenção. “Em relação às pessoas que permitiram essas fugas de informação, devido às quais o assassino se encontra em liberdade e a identidade do que encomendou o crime desconhecida, não se iniciaram processos crime”, sublinhou Muratov.
            Na opinião de Iulia Latinina, colega de Anna Politkovskaia na Novaia Gazeta, as autoridades satisfizeram a sua curiosidade e o caso já não vai muito para além. Na opinião desta jornalista, Putin ficou de facto surpreendido com o assassínio de Politkovskaia e quis saber de onde tinha partido a iniciativa se “do seu pé direito ou do calcanhar esquerdo”. Por outras palavras Latinina afirma que por detrás da organização podiam estar ou o FSB ou o actual presidente da Chechénia, Ramzan Kadirov. As investigações apontam para oficiais e agentes do FSB.

            Segundo a versão de Iulia Latinina, a encomenda de eliminar Anna Politkovakaia teria recebido um certo Lom-Ali Gaitukaiev, tio do tal Buraiev que recentemente foi posto em liberdade. Gaitukaiev seria uma “autoridade” (tipo “padrinho”, na linguagem da mafia siciliana) do crime organizado, mas com estreitas relações com o FSB. Gaitukaiev entretanto foi preso por via de um outro caso, e daí o telefonema do oficial do FSB, Pavel Riaguzov, a Chamil Buraiev, depois de ter obtido o endereço de Anna Politkovskaia na base de dados do FSB. Iulia Latinina teme que no tribunal as coisas não se vão esclarecer, porque as autoridades já tiveram as informações que pretendiam e não têm interesse em ir mais longe. Segundo a jornalista, uma demonstração disso foram as tais fugas de informação, que permitiram ao executor de se pôr a salvo, e aos organizadores de permanecerem na sombra. Veremos se Latinina, que é frequentemente muito radical nas afirmações que faz, vai ter razão. Entretanto, temos que admitir que para investigações concluídas, a informação não é muita.



publicado por edguedes às 15:06
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