as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
PARLAMENTO RUSSO RECONHECE INDEPENDÊNCIA DA OSSÉTIA DO SUL E DA ABKHÁZIA

 

 

A notícia já era esperada. Primeiro foi o Conselho da Federação a aprovar por unanimidade uma resolução para o reconhecimento das independências da Abkházia e da Ossétia do Sul e, poucas horas depois foi a vez da Duma de Estado repetir a mesma proeza. Pode-se dizer que a Geórgia conseguiu unir as duas câmaras do parlamento russo. No início da sessão, no Conselho da Federação tiverem lugar de destaque e direito a palavra os dois presidentes das repúblicas agora semi-reconhecidas, Serguei Bagapch e Eduard Kokoiti, respectivamente da Abkházia e da Ossétia do Sul. Serguei Mironov, presidente do Conselho da Federação, afirmou que “o reconhecimento das independências da Abkházia e da Ossétia do Sul é uma condição necessária para garantir a segurança a estes povos”. Segundo Mironov, depois dos bombardeamentos que Tbilissi levou a cabo na Ossétia do Sul, não há condições para que os ossetas vivam no mesmo país que os georgianos. (Cá para mim, Mironov anda esquecido de como se passaram as coisas na Chechénia, onde as tropas federais russas bombardearam “o povo” duma forma bem mais forte e, mesmo assim, vivem no mesmo país do que os russos). E o que é que isto vai dar? A ideia de alguns observadores (incluindo eu) acham que o presidente Dmitri Medvedev vai segurar o papel na gaveta e ver como é que as coisas correm no plano internacional. Como a União Europeia vai ter um cimeira dedicada a este tema na próxima segunda-feira, provavelmente, até lá, as propostas da Duma e do Conselho da Revolução não vão ter seguimento. Por outro lado, há também quem faça notar que a Rússia poderá, dentro em breve, encontrar-se perante uma grande pressão, dado que como parte no conflito não tem condições para ter ali tropas de manutenção de paz. Com a independência reconhecida, poderá manter tropas nestas zonas a pedido somente dos governos da Abkházia e da Ossétia do Sul. Isso continuará a não melhorar as relações com o Ocidente mas permite agir dentro de uma certa lógica. Aliás lógica é o que falta mais a este ponto. A Rússia não reconheceu a independência do Kosovo, porque era contra o direito internacional, dado que não havia acordo com a Sérvia. Agora presta-se a reconhecer a Abkházia e a Ossétia do Sul, mesmo sem o acordo da Geórgia. Os EUA e alguns países europeus reconheceram a independência do Kosovo, mas agora dizem que a integridade territorial da Geórgia é sagrada e que a Abkházia e a Ossétia do Sul, não têm direito a ser independentes...

            Entretanto as relações entre a Rússia e o Ocidente vão-se deteriorando por outros lados. No encontro que Medvedev teve com Dmitri Rogozin, representante permanente da Rússia junto da NATO, o presidente afirmou que a colaboração com a Aliança é importante mas não a qualquer preço, e que não está interessado numa colaboração de 2ª categoria. “Cercam-nos de bases, deslocam-se para as nossas fronteiras”, comentou Medvedev, adiantando que se poderá chegar a uma suspensão de toda a colaboração com a NATO. Por outro lado, Vladimir Putin (primeiro-ministro) confirmou que o governo pensa renunciar a alguns dos compromissos assumidos para a admissão da Rússia à Organização Mundial de Comércio. O facto é que os americanos já afirmaram que não vão levantar a “emenda de Jackson-Vanik”, que impunha limitações nas trocas comerciais com a URSS, no tempo da guerra fria, introduzida como represália contra o facto que o governo soviético não permitia a emigração dos judeus, muitos dos quais faziam parte da nata científica da URSS. A “emenda” continua de pé até hoje e, agora serve para defender a Geórgia. Além disso, os EUA vão renunciar a um projecto de colaboração no âmbito nuclear civil, que tinha sido acordado a nível dos dois presidentes. Isto são algumas das expressões da nova guerra fria, mas provavelmente vai haver mais nos próximos dias. Junte-se ainda o facto de que nos EUA está a começar a campanha eleitoral e exibir posições de força normalmente rende votos.

            Em Tbilissi, o presidente Mikhail Saakachvili também não parece estar em fase de se chegar para trás. Conforme refere o Herald Tribune, adiantando alguns pontos de uma entrevista, Saakachvili penso repor de pé a capacidade militar da Geórgia e garante que não desiste dos territórios em causa. Diz que conquistou novos aliados no mundo e que vai começar uma campanha de reconstrução. Faz notar que a “administração Bush” não se lhe mostrou contrariada ou deu sinais de querer diminuir o seu apoio pelo facto de ele ter dado ordem de atacar Tskhinvali (capital da Ossétia do Sul). Afirma que “há uma espantosa solidariedade”.



publicado por edguedes às 19:20
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