as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008
COMENTÁRIO À CRISE

 

Evgueni Iassin, ex-ministro da Economia, no tempo de Boris Ieltsin, de orientação liberal, publicou hoje um artigo sobre a crise económica. Eis alguns extractos:

 

“Não queria, nesta altura, dar recomendações concretas. Só as pessoas pouco sérias assumem esse papel”

“Os parâmetros estratégicos da crise de hoje são muito sérios... Na economia mundial estão a dar-se movimentos tectónicos de dimensão planetária, ligados, em primeiro lugar, ao crescimento da Índia e da China...”

“... Na Rússia a economia desenvolveu-se por outras vias. A Rússia foi inundada pelo petróleo, apareceu muito dinheiro e, com este, a mania das grandezas. Não houve decisões de fundo como preparação para o que pudesse vir a acontecer, se a situação piorasse. As importações estão a crescer mais depressa do que as exportações, e não é de excluir que, a certa altura, a balança de pagamentos e a balança das operações correntes se desequilibrem para o lado negativo...”

“... Relativamente ao que se passou (agora), aos processos que estão a ocorrer na economia mundial, as autoridades russas acrescentaram alguns passos, e na direcção que, em vez de abrandar, acelera a crise. É a pressão sistemática sobre a actividade empresarial. Já não falo do famoso caso da companhia “Metchel”. Ainda antes disso, houve o ataque aos que aumentaram o preço do leite, da gasolina e do querosene para os aviões. Houve o ataque ao “Arbat Prestige”, o que não pode deixar de influenciar outras companhias. Seguiu-se o caso “Rusneft”, agora estão a “trabalhar” as empresas “Euroset” e “Air Union”. Ninguém percebe o que é que se está a passar, mas desconfia-se de “redistribuição da propriedade” (situação em que se obriga um proprietário a vender, para outro poder comprar a um preço conveniente)... No fim de contas, o capital foge do mercado de acções.”

“O conjunto destas causas e a falta de preparação da Rússia para as dificuldades, reuniram as condições para a situação que temos hoje... Aqui extraem-se petro-dólares, e nós habituamo-nos a isso e não queremos nem sequer pensar que se iniciaram tempos mais perigosos....

Eu não confirmo que a crise seja das proporções da de 1998, mas para as grandes empresas vai ser muito significativa, porque essas recebiam crédito de todos os lados... Agora vai ser preciso devolver esse dinheiro, a liquidez vai ser insuficiente, os meios não estão preparados para isso.”

“Eu gostaria que hoje houvessem algumas alterações no mercado... Mas a crise ainda não chegou ao fundo. Eu já tinha dito que o fundo é quando o índice RTS chegar a 600 pontos, que é o valora a que chegou quando prenderam Mikhail Khodorkovski (presidente da Yukos)...”



publicado por edguedes às 13:35
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

24
25
26
27
28
29

30
31


posts recentes

VICTOR HUGO PONTES NO "IN...

RÚSSIA E POLÓNIA DEPOIS D...

RE-START

"SHAKHIDKA"

AINDA ATENTADOS

METROPOLITANO DE MOSCOVO ...

METROPOLITANO DE MOSCOVO ...

METROPOLITANO DE MOSCOVO ...

RECOMEÇAR

ASSASSÍNIO DE SACERDOTE C...

arquivos

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Novembro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

tags

todas as tags

links
blogs SAPO
subscrever feeds