as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
BEM PREGA FREI TOMÁS

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Geórgia seguiu o exemplo da instituição homóloga russa e deixou de lado o verniz diplomático. Num comunicado que apareceu ontem, o MNE georgiano classifica de “pasquim” uma comunicação do MNE russo, e assegura que o que os faz falar é a inveja, “pelos sucessos conseguidos pela Geórgia precisamente no caminho para a construção de um estado democrático e no reconhecimento internacional destes sucessos, do que a Rússia, infelizmente, não se pode gabar”. A diplomacia georgiana sublinha que a Rússia pretende mostrar que a Geórgia não está à altura dos padrões democráticos, mas por seu lado renuncia à presença da missão dos observadores da OSCE nas próximas eleições parlamentares. De acordo com Tbilissi, o que pretende o MNE russo é distrair a atenção da comunidade internacional e da população da Rússia para o facto de que “na Rússia há muito tempo que não existe nem sombra de um processo político democrático” e acrescenta que o que ali (na Rússia) se passa é uma “comédia em várias séries” e um dos episódios é o das “eleições parlamentares” e do “herói nacional”.

            A provocar os georgianos tinha sido uma comunicação dos responsáveis pela diplomacia russa em que se afirmava que se “confirma a impressão de que as eleições antecipadas (na Geórgia) foram pensadas como uma farsa aberta destinada a garantir a permanência do poder nas mãos da actual administração”, acrescentando que “há limitações à liberdade de expressão e reunião e continuam as perseguições à oposição”. O actual governo da Geórgia “continua a insuflar a mania dos espiões e a engrandecer a imagem do inimigo externo”, e coloca como “eixo da campanha eleitoral uma aberta russofobia”. Referindo-se directamente a Saakachvili, diziam que ele “mergulhou definitivamente num certo mundo virtual” onde “inventa ameaças” que se “inspiram em Jan Fleming”.

            Parece que os georgianos se mostraram sensíveis à referência literária do autor de James Bond, porque voltam a citar o popular escritor, afirmando que “os funcionários russos vêem o mundo através de passagens fantasmagóricas das criações de Jan Fleming”.

            Esta troca de missivas diplomáticas, em que as “verdades” são ditas num estilo que é raro fora do espaço do que era em tempos a União Soviética, fez-me lembrar a pregação do Frei Tomás (faz como ele diz e não faças como ele faz). Às vezes, é mais fácil dizer uma coisas acertadas quando se comentam os acontecimentos do país do vizinho.



publicado por edguedes às 22:14
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