as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
AVIDA PRIVADA DO PRESIDENTE

Entre os e-mails que me chegaram ontem havia um, que hesitei em classificar de “spam”, com o nome curioso de “Beijo não para a Imprensa” (talvez seja mais correcto "O beijo que não é para a Imprensa"). Uma leitura mais atenta levou-me a perceber que se tratava de facto de um convite para uma conferência de Imprensa para apresentação de um filme produzido na Rússia. “Um enredo sobre a vida onde a política e o amor se entrelaçam de forma estreita”. O personagem central é “um cidadão de Leningrado (actualmente S. Petersburgo) que fala muito bem alemão e que atingiu o topo do poder político”. Ela, “esposa, mãe, mulher...”, “a heroína, hospedeira, bonita, encantadora, que chegou uma vez a Leningrado e conquistou o coração do futuro presidente”. “O filme dá uma ocasião única de ver a vida do presidente de um outro lado”... “chefe de família, marido amoroso, pai preocupado”.

            A apresentação diz que os autores do filme tentaram responder às perguntas: “quem é ele na vida de família? O que é que lhe vai na alma? Resta-lhe no coração espaço para o amor?”

 

O filme promete ser romântico, e foi feito não para as grandes salas de cinema onde não vale a pena passar coisas que as pessoas não vão ver, mas vai ser difundido em DVD (devidamente licenciados), o que está óptimo para a televisão onde vai certamente passar muitas vezes e nas alturas convenientes. É sabido que Vladimir Putin, mesmo sem pretender ser presidente no futuro próximo, não se vai retirar da política, e uma operação de “humanização do personagem” e de aproximação ao sentimentos positivos dos mortais comuns é recomendável pela maioria dos “image makers”.


publicado por edguedes às 09:24
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008
KHODORKOVSKI EM GREVE DE FOME

No portal dos advogados de Mikhail Khodorkovski, o ex-milionário russo que se encontra a cumprir uma pena de prisão na Sibéria, foi publicada uma carta deste ao procurador geral, Iuri Tchaika, em que anuncia que entrou em greve de fome por causa da situação em que se encontra Vassili Alexanian. Recorde-se, que Alexanian, que tinha chefiado o departamento jurídico da Yukos, aceitou assumir a vice-presidência da companhia no início de 2006. Poucos meses depois foi iniciado contra ele um processo, por “furto e lavagem de dinheiro”, referido a acontecimentos que datam de 1998. Alexanian sofre de SIDA num grau adiantado e já em Setembro de 2006 lhe tinha sido recomendado um tratamento sério à base de antiretrovirais. No entanto, Alexanian continua em prisão preventiva sem que o tratamento se tenha iniciado. Além disso, Alexanian perdeu quase completamente a vista e suspeita-se que tenha contraído tuberculose na prisão. Na sessão de tribunal em que Alexanian foi ontem forçado a participar (ele declarou por escrito que não estava em condições de participar, mas levaram-no à mesma), Alexanian sentiu-se mal e tiveram que chamara o serviço de emergência médica. Recentemente, Alexanian acusou elementos da Procuradoria de lhe terem proposto a possibilidade de se tratar, em troca de depoimentos contra Khodorkovski. Na carta publicada ontem, Khodorkovski diz que se encontra perante “uma escolha moralmente impossível”: ou reconhecer-se “culpado de crimes inexistentes para salvar a vida de uma pessoa, mas dando cabo da vida de pessoas que foram apontadas como meus cúmplices”; ou “defender os meus direitos, esperando que venha a haver um tribunal independente, mas com isso ser a causa da possível morte do meu advogado Alexanian”.

            Na carta ao procurador geral Khodorkovski acusa o procurador Salavat Karimov, de “ameaças e de iniciar processos contra testemunhas teimosas”. O ex-patrão da Yukos acusa ainda o vice-chefe da Administração do Presidente, Igor Setchin, de estar por detrás das manobras da Procuradoria. “Nos últimos anos, Karimov, agindo em ligação directa com Igor Setchin, como eu tenho fundamentos para supor, iniciou uma série de acções duvidosas, para recolher provas de crimes inexistentes”, afirma Khodorkovski.

            Entre os colaboradores de Vladimir Putin, Setchin é visto como um dos elementos do grupo ligado às “forças”, tendo vindo também ele das fileiras do KGB. Com uma licenciatura em português e francês, trabalhou vários anos como tradutor em Moçambique e Angola. Actualmente é também presidente do conselho de administração da empresa petrolífera estatal Rosneft, que cresceu extraordinariamente nos últimos anos tendo “absorvido” uma boa parte dos activos da Yukos.


publicado por edguedes às 16:08
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
NA RÚSSIA TUDO A POSTOS PARA AS PRESIDENCIAIS

O presidente da Comissão Eleitoral Central da Rússia, Vladimir Tchurov, deu hoje uma conferência de Imprensa para assegurar que nas próximas eleições presidenciais, tal como nas anteriores legislativas, tudo vai correr bem. Tchurov esclareceu que não tinha sido Putin a decidir a não aceitação da candidatura de, Mikhail Kassianov, porque “a lei não permite que o Kremlin dê ordens à CEC”. Kassianov era o único representante da oposição liberal à parte o quase desconhecido Andrei Bogdanov, que viu a sua candidatura aceite pelo CEC. Vladimir Jirinovski, apesar dos seus escândalos e excessos nacionalistas, é submisso ao Kremlin, enquanto que Gunnadi Ziuganov, líder do Partido Comunista, repete sempre as mesmas críticas e tem sempre menos votos. As sondagens dão mais de 80% a Dmitri Medvedev, por isso o processo eleitoral vai ser verdadeiramente sem incidentes.

Um dos pontos centrais da conferência de Tchurov foi respeitante aos observadores internacionais. Tchurov esclareceu que o número de observadores convidados para as presidenciais era o mesmo dos convidados para as parlamentares, altura em que a Departamento de Instituições e Direitos Humanos da OSCE, se recusou a mandar a missão de observação por considerar que Moscovo impunha limites excessivos no tempo e no número de observadores. Vão ter os mesmos 70 convites. “Somos nós quem decide quantos devem vir”, afirmou Tchurov, e por isso, ao todo, vão ser cerca de 400. À observação de que na Geórgia havia cerca de mil observadores, para uma área e uma população muito menores, Tchurov reagiu com ironia: “isso mudou alguma coisa?”. O presidente da Comissão Eleitoral sublinhou que se quisessem manter a proporção de número de observadores para número de habitantes que havia nas eleições georgianas teriam de convidar 80 mil observadores. Por isso, Tchurov afirma que as eleições russas se aproximam mais do modelo polaco onde haviam só “50 ou 60 observadores, incluindo este vosso criado”. Para mostrar a boa vontade da CEC da Rússia, Tchurov pôs-se a assinar os convites para os observadores em plena conferência de Imprensa, alternado as respostas com anúncios do tipo “este é para o ministro do Interior da Espanha, Perez Rubalcaba”... No final da conferência Tchurov decidiu ainda dar mais uma demonstração de quanto está já à vontade com os meios de comunicação, não obstante a sua permanência ainda não muito longa no cargo, e puxou pela pasta das candidaturas estranhas. São cerca de 120 os requerimentos recebidos no CEC de pessoas que se querem candidatar à presidência, e continuam a chegar, o que significa que alguns nem sequer conhecem minimamente a legislação. Entre os mais notáveis, Tchurov sublinhou que havia quatro que se apresentavam como “imperatrizes” e um que se dizia já “czar”. Não sei se a ideia de Tchurov era de convencer os presentes que, por mal que as coisas possam correr na próxima presidência, a CEC já evitou os casos mais graves.


publicado por edguedes às 17:01
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008
O HERDEIRO VAI MAIS LONGE

 

            De acordo com as sondagens do centro “Levada”, uma das mais conceituadas organizações russas para o estudo da opinião pública, se as eleições presidenciais fossem no próximo fim de semana, Dmitri Medvedev teria 82%, deixando a enorme distância qualquer um dos seus oponentes. O líder comunista Guennadi Ziuganov seria o segundo com 9% seguido de Vladimir Jirinovski com 8%. Os candidatos de própria iniciativa, ou seja não propostos por partidos políticos com assento parlamentar, Andrei Bogdanov e Mikhail Kassianov, não iriam além de 1%. Alguns observadores fazem notar que se se vier a verificar um resultado do género, significa que Medvedev obteria melhores resultados do que os melhores obtidos por Putin em quaisquer das presidenciais precedentes. Os melhores resultados de Putin foram na altura da sua reeleição, quando obteve 71%. No entanto, a principal qualidade que os inquiridos encontram em Medvedev é a sua proximidade a Putin. Alguns observadores, dizem que Medvedev copia a maneira de falar, a entoação, os gestos, o tipo de retórica, etc. O discípulo tenta imitar o mestre...

 

            Um facto interessante é que Bogdanov e Kassianov não vão além de1%. Então como é que eles foram arranjara os 2 milhões de assinaturas, cada um? O número de eleitores russos são, em teoria, cerca de 100 milhões, donde seria de esperar que se um candidato é apoiado por dois milhões de pessoas consiga, pelo menos, 2%. E isso pressupõe que os conseguiu ir descobri-los a todos, em poucas semanas, com uma equipa de colaboradores que dificilmente pode ir além de algumas centenas. Concordo que há quem esteja disposto a assinar para que o homem se possa candidatar e não esteja a pensar em votar nele depois... Mesmo assim, tudo leva a crer que a recolha de assinaturas tem pouco a ver com estes cálculos. Nos anos 90, tive conhecimento de que para algumas eleições, se “contratavam” os estudantes de residências universitárias para copiarem assinaturas (e dados do passaporte) a partir de folhas com variadas origens. Assim sendo, não é de estranhar que a Comissão Eleitoral tenha encontrado no meio das assinaturas de Kassianov, uma montanha de “más” assinaturas, que provavelmente porão em causa a sua participação. O que me parece mais curioso é que nas assinaturas de Andrei Bogdanov, não tenham encontrado mais de 5% de “más”. As más línguas diriam que todos sabem que as assinaturas falsas têm de lá estar, mas pode-se procurar de forma a encontrá-las, ou pode-se fechar um olho. No fundo, dá jeito e um certo ar de democracia, um candidato desconhecido e autoproposto.



publicado por edguedes às 18:43
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008
ALEXANIAN, OUTRO CASO DA YUKOS

Vassili Alexanian representa uma das situações mais dramáticas, de entre as que se passam com as pessoas que foram perseguidas pelas autoridades russas, no contexto do caso da empresa petrolífera Yukos, de Mikhail Khodorkovski. Vassili Alexanian tem 36 anos e um filho de 6 anos.

 

Parte da informação que se segue foi preparada para uma publicação no JN, no final da semana passada, que no entanto não apareceu na edição on-line.

 

As declarações directas de Alexanian apareceram nalguns portais russos hoje, dia em que o pedido de aguardar julgamento em liberdade, de modo a poder ser tratado, foi apresentado ao Supremo Tribunal. O pedido foi indeferido. Alexanian vai continuar na cadeia em prisão preventiva.

 

EM CONDIÇÕES EXTREMAS

 

            A Amnistia Internacional lançou um apelo para que as autoridades russas permitam o tratamento de Vassili Alexanian, que se encontra em prisão preventiva desde Abril de 2006 e está “gravemente doente, de doença fatal, sem o tratamento nem a assistência médica necessários”. De acordo com a advogada de Alexanian, Elena Lvova, o diagnóstico de SIDA foi feito já em Setembro de 2006, e foi recomendado um tratamento sério sob constante vigilância médica. A advogada faz questão de precisar porém, que Alexanian “não faz parte de nenhum grupo de risco”. No entanto, o tratamento não foi iniciado. A partir de Outubro do ano passado os acessos de febre passaram a ser diários. “Só depois de muitas insistências nossas, foi levado para o Centro Estatal de Moscovo para a SIDA, onde foi estabelecido que a situação da sua imunodeficiência é crítica, a um nível de 4%”, afirma Elena Lvova, adiantando que foi indicada a necessidade de internamento numa clínica especializada. Em vez disso, foi transferido para a secção de doenças infecciosas da prisão, onde o tratamento não foi iniciado. Em Janeiro foi-lhe diagnosticada tuberculose, que provavelmente resulta de contágio sofrido na enfermaria da prisão.

 

Moscovo ignora tribunal europeu

Em Novembro do ano passado, Alexanian apelou ao Tribunal Europeu para os Direitos Humanos (TEDH), que sentenciou que as autoridades russas devem imediatamente transferir Alexanian para uma clínica especializada. “Essa decisão não foi acatada pelas autoridades e a 6 de Dezembro, o TEDH emite uma segunda sentença, em que exige a execução imediata da anterior”, relata a advogada. O TEDH emitiu já uma terceira sentença. Elena Lvova, considera um caso único que um estado membro possa ignorar as decisões do TEDH. A advogada afirma que apesar de Alexanian se encontrar nestas condições, e de ter perdido quase completamente a visão, os médicos do estabelecimento prisional concordam em que ele continue a ser levado regularmente ao tribunal sob solicitação dos investigadores.

 

Parte do caso Yukos

Conforme disse ao JN Elena Lvova, as acusações de que é alvo Alexanian – furto de acções de duas companhias agindo no contexto dum grupo organizado –  datam de 1998, e são uma parte do caso Yukos, por isso “a decisão de o prender foi tomada rapidamente, quando ele aceitou assumir o cargo de vice-presidente da Yukos”. O prazo de prisão preventiva já foi prolongado oito vezes. “Durante estes dois anos, não foram feitas nenhumas investigações, são tudo coisas indagadas em 2004 e 2005, só foi acrescentado um ponto relativo aos seus impostos”. O mesmo material já foi usado no processo de Svetlana Bakhmina, que também trabalhava no departamento legal da Yukos, que el 1998-99 era chefiado por Alexanian. Bakhmina foi condenada a 7 anos de prisão e foi rejeitado o pedido de adiar por 9 anos o cumprimento da pena, dada a idade dos seus dois filhos.

Na exposição que Alexanian fez para o TEDH, afirmava de que lhe fora proposto “apresentar uma denúncia em troca da sua vida”. Presume-se que a denúncia seria contra o ex-patrão da Yukos, Mikhail Khodorkovski, que se encontra actualmente a cumprir uma pena de prisão e se prepara para enfrentar um segundo processo que, segundo o seu advogado, pode levar a uma pena adicional de 22 anos de prisão.

ALEXANIAN ACUSA

 

            Durante a sessão no supremo tribunal, Vassili Alexanian fez algumas declarações ousadas. Levantou acusações contra os oficiais da Procuradoria e contra o sistema. Alexanian participava através de uma ligação televisiva via cabo, dado que as suas condições de saúde não lhe permitiam estar presente. Os jornalistas foram mandados para fora da sala, embora a sessão não fosse prevista ser à porta fechada. Um portal russo afirma ter conseguido partes do texto estenográfico da sessão no tribunal.

 

            Segundo Alexanian um dos procuradores propôs-lhe um acordo, tratamento em troca da denúncia contra Khdorkovski:

            “ Salavat Karimov (procurador) em pessoa, que então preparava estas acusações absurdas contra Khodorkovski e Lebedev, propôs-me um acordo... Ele não tinha formalmente relação com o meu caso, mas disse-me: a direcção da Procuradoria Geral compreende que lhe é indispensável tratar-se, pode ser até fora da Rússia, está numa situação grave... E diz-me: nós precisamos do seu testemunho porque não conseguimos comprovar as acusações que movemos contra Khodorkovski e Lebedev (2º processo, do qual estão a aguardar julgamento), se testemunhar da forma que a investigação quer, eles trabalham uma semana ou duas... Quando recebermos as declarações que satisfazem a direcção, nós trocamo-las – como ele disse – assinatura com assinatura, ou seja ponho-lhe na mesa a alteração da medida de prisão preventiva, e você assina o protocolo do interrogatório. Ele tentava convencer-me de várias maneira e mostrava-me folhas de interrogatórios supostamente de pessoas que tinham decidido ajudar a acusação...”

            Alexanian recusou porque não podia “comprar assim a sua vida”. A partir daí as codições de vida na prisão pioraram. “Eu estive em muitas celas que ainda lembram Béria. O bolor, estafilococos, come-nos a pele mesmo vivos”.

 

Depois da primeira recusa de testemunhar contra Khodorkovski, ainda duas vezes recebeu propostas semelhantes, e no tribunal ele citou nomes e datas. Alexanian afirma que não só não lhe era feito nenhum tratamento como nem sequer o queriam levar a fazer novas análises. “São torturas! Naturais, legais, mas torturas”. Afirma que lhe foi limitado o analgésico, que o põem em celas com temperaturas de 2 ou 3 graus, onde teve sempre que dormir vestido.

 

Alexanian afirma que os crimes de que o acusam são uma montagem. O artigo 174 (lavagem de dinheiro) que se aplica ao que é considerado o crime mais grave, foi introduzido no Código Penal em Janeiro de 2002, mas os acontecimentos em causa datam de 1998 e 1999.

 

“Recebi uma condenação de facto, sem julgamento, uma condenação à morte, que está a ser posta em execução”, teria afirmado Alexanian segundo a sua advogada Elena Lvova.



publicado por edguedes às 20:00
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
HERÓI DO CÁUCASO

O nome deVitaly Kaloev é um dos mais conhecidos na república da Ossétia no Norte, no lado russo do Cáucaso. A notícia que hoje chegava de lá era que Kaloev tinha começado o seu novo trabalho como vice-ministro da Ossétia do Norte para a Arquitectura. Kaloev regressou à pouco tempo da Suíça, onde estava preso pelo assassínio do controlador aéreo, Peter Nilsen, considerado o principal responsável pelo acidente aéreo, ocorrido no verão de 2002, resultante de um choque de um avião russo, que efectuava um voo charter para Espanha, com um avião de carga da DHL. Kaloev perdeu a sua família, a mulher, a filha e o filho, nessa tragédia. No Cáucaso a “vingança de sangue” está profundamente enraizada, e não se trata só de se deixar levar pela raiva cega. Kaloev, agiu premeditadamente, foi descobrir o lugar isolado onde escondiam Nilsen, e a “vingança” teve lugar já em Fevreiro de 2004. Foi condenado a 8 anos, mas a pena foi encurtada para 5 e foi-lhe dada a liberdade provisória, por “comportamento exemplar e por não representar perigo para a sociedade”. Quando regressou à Ossétia em Novembro do ano passado, foi recebido como um herói. Foi o presidente da Ossétia do Norte, Taimuraz Mamsurov, que insistiu pessoalmente para que Kaloev aceitasse um cargo no governo daquela república. Segundo informações da Imprensa local, os colegas esperavam com expectativa o dia em que Kaloev começaria a trabalhar. Há alguns meses atrás, em conversa com Ella Kassaeva, da organização “Voz de Beslan”, foi-me confiada a admiração que “as mães de Beslan” nutriam por Kaloev e pelo seu “gesto de coragem”. Referindo-se aos ecos que a sua nomeação provocou na Imprensa helvética, Kaloev afirmou que “um jornal de lá viu a minha nomeação como uma afronta às autoridades suíças... mas o que é que se pode dizer da sentença de 6 meses com pena suspensa, que tiveram alguns culpados da tragédia em que morreram as nossas crianças”.

            O conceito de justiça dificilmente se consegue universalizar. O Cáucaso tem o seu modelo que não se adequa nem às leis russas, nem às leis suíças. Mas o facto é que, ao assumir-se em “juiz” na sua tragédia, não só cometeu um assassínio premeditado de alguém, cujo nível de culpabilidade ficou por apurar por inteiro, mas ainda privou o processo no tribunal do principal arguido e, provavelmente, da possibilidade de se conhecer exactamente o que se passou na noite de 2 de Julho de 2002, entre os aviões que sobrevoavam o lago de Boden e a sala de controle aéreo gerido pela empresa suíça Skyguide.


publicado por edguedes às 15:55
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
AINDA O CASO YUKOS

Um dos advogados de Mikhail Khodorkovski, Iuri Schmidt, deu ontem uma conferência de Imprensa dedicada ao novo processo crime que se deverá iniciar nos próximos tempos contra o ex-patrão da Yukos e ex homem mais rico da Rússia, actualmente a cumprir uma pena numa prisão da Sibéria. De acordo com o advogado, este segundo processo estava já planeado pelas autoridades, ainda antes de ter terminado o primeiro, em Junho de 2005, em que Khodorkovski foi condenado a oito anos de prisão. Segundo Schmidt estas manobras são orquestradas ao mais alto nível (Kremlin). Com as acusações que agora pendem sobre Khodorkovski e sobre o seu parceiro de negócios Platon Lebedev, a mais séria das quais de ‘lavagem de dinheiro’, os ex-milionários poderiam ser condenados a outros 22 anos de cadeia.

            Algumas citações de Iuri Schmidt:

            Havia uma grande companhia, estruturada, uns extraíam petróleo, outros refinavam, outros ocupavam-se do transporte, outros do planeamento, e todos estavam bem. Todos os que faziam parte desta estrutura tinham lucros, todos estavam satisfeitos, todos os documentos sobre a actividade da companhia, sobre o pagamento de impostos, relatórios sobre a extracção, tudo era verificado muitas vezes pelos órgãos de controle, e não havia queixas da parte de ninguém. Depois houve uma viragem drástica, uma ordem -  “soltar os cães”. Soltaram, os cães começaram a roer todos, e depois aconteciam coisas fantásticas. Todas as inspecções fiscais e todas as instâncias de controle, que tinham trabalhado anteriormente, não olhavam para onde deviam e trabalhavam mal. As companhias de extracção não vendiam o petróleo à Yukos, ou a um intermediário, mas esse petróleo tinha sido roubado. E todas as companhias, Tomskneft, Samaraneft, etc., que faziam parte das estruturas da companhia, em coro começaram a abrir processos, em que declaravam que tinham sido roubados. Isto só num país como a Rússia e com um regime como o de agora. Eu penso que nenhuma pessoa normal que não esteja familiarizado com as nuances da nossa vida, pode compreender isto. No entanto, é assim.”

 

            Sobre a possibilidade de requerer a liberdade provisória antecipada, dado que está cumprida mais de metade da pena a que Khodorkovski foi condenado.

            “... quando faltavam 10 dias para que estivesse cumprida metade da pena e fosse possível apresentar o requerimento de liberdade provisória, ele teve um castigo por não manter as mãos atrás das costas. Era claro que se tratava de um pretexto para criar um obstáculo artificial para a sua libertação antecipada. Apesar de, naquelas circunstâncias, isso não pudesse significar a sua saída em liberdade, porque ele estaria sujeito a prisão preventiva devido ao segundo caso. Os acontecimentos dos últimos tempos foram muitos, e nós tínhamos pela frente um prazo limitado para tomar conhecimento com os materiais do caso (2º) e passámos para segundo plano a questão da liberdade antecipada, em parte porque percebemos que não há perspectivas.”

 

            Schmidt afirma que Khodorkovski continua com moral alta e disposto a continuar a defender as suas posições mas, aparentemente, o Poder estabeleceu como objectivo que ele não deve sair vivo da cadeia.

            A este propósito é notícia um outro figurante do caso Yukos, o vice-presidente da companhia Vassili Alexanian, também ele preso e à espera de julgamento. De acordo com os advogados, Alexanian está muito doente e, não obstante tenham havido já três decisões do Tribunal Europeu para os Direitos Humanos a exigir que ele seja internado num hospital competente, ele continua a ser tratado (ou não) no estabelecimento prisional. Segundo algumas informações Alexanian teria SIDA, mas teme-se ainda que ele tenha contraído tuberculose na prisão. Alexanian é acusado de pertencer a uma organização criminosa (a Yukos) e de ter participado em lavagem de dinheiro.


publicado por edguedes às 14:41
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
MAIS PROVÁVEL UM ENCONTRO ENTRE BENTO XVI E ALEXIS II

Algumas notícias que apareceram nos últimos dias levam a pensar que um encontro entre o papa Bento XVI e o patriarca Alexis II da Igreja Ortodoxa Russa possa estar para breve. O que me leva a pensar que o acordo entre ambas as partes esteja já em fase adiantada é a sintonia que sobressai das afirmações das pessoas que conduzem o processo. O Núncio Apostólico em Moscovo, monsenhor António Mennini, em recentes declarações à Rádio Vaticano, comentando o encontro tido com o Patriarca de Moscovo por altura do Natal Ortodoxo, afirmou que “vai chegar também esse momento” (do encontro do Papa com o Patriarca) acrescentando que “existem todos os sinais que nos levam a esperar num desenvolvimento positivo”. O encontro do Núncio com o Patriarca foi no final da Liturgia de Natal (correspondente à Missa do Galo), na Igreja de Cristo Salvador, onde se encontrava na companhia do novo bispo católico de Moscovo, monsenhor Paolo Pezzi. Nessa ocasião, Alexis II, pediu para transmitir a Bento XVI a sua “estima, proximidade e fraternidade”.

            Por seu lado, o metropolita Kirill, numa recente entrevista à revista alemã Der Spiegel, afirmou ser “perfeitamente possível” um encontro entre o Papa e o Patriarca num terceiro país. O metropolita declarou que “desde que foi consagrado Papa Bento XVI, as nossas relações melhoraram”. Um dos motivos é que “ele (Bento XVI) retirou da ordem do dia a questão de uma visita a Moscovo”. Na opinião do metropolita Kirill, uma tal visita “não resolvia nenhum problema e levantaria alguns novos”. Kirill, é considerado a segunda figura da Igreja Ortodoxa e dirige o Departamento de Relações Externas, que tem a seu cargo os contactos com a sociedade civil, com as autoridades e as relações com as outras Igrejas. Na opinião de muitos observadores, há uma grande probabilidade de vir a ser ele o sucessor de Alexis II. “Podem-se assinar os papéis que se quiser, mas se não temos o sentimento de que nos amamos, de que somos uma família, de que precisamos uns dos outros, não há união”, comentou o metropolita a propósito das relações entre as duas Igrejas.

            As diferenças doutrinais entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa são muito poucas, e na opinião de alguns especialistas, os motivos de discórdia dependem muito mais de uma diplomacia directa, que envolve o estabelecimento de relações de confiança recíproca, do que de discussões teológicas ou da resolução de problemas concretos. No entanto, a Igreja Ortodoxa Russa, aponta frequentemente como motivo das actuais divergências, “o proselitismo” praticado pelos católicos no “território canónico” da Igreja Ortodoxa, e os conflitos (incluindo disputa e ocupação de igrejas) com a Igreja Católica de rito Bizantino, que se ocorreram na Ucrânia, durante os anos noventa.

            Segundo alguns observadores, o facto de o actual Papa ser alemão, também é visto como um factor positivo, relativamente à nacionalidade polaca de João Paulo II. Na Rússia existem mais preconceitos relativamente aos polacos do que relativamente aos alemães, não obstante a experiência trágica da II Guerra Mundial. Nos últimos anos, o feriado do dia 7 de Novembro, correspondente à Revolução de Outubro (segundo o calendário antigo era 25 de Outubro) foi substituído pelo 4 de Novembro, em que se festeja a libertação de Moscovo da ocupação polaca, durante os “tempos agitados”, no início do século XVII.


publicado por edguedes às 16:01
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008
BESLAN: DE VÍTIMAS A CULPADOS

 

 

A organização “Voz de Beslan” criada por algumas das mães que viveram o pesadelo do sequestro da Escola nº1, no início de Setembro de 2004, foi formalmente acusada de difundir ideias extremistas, e vão a julgamento em meados de Fevereiro. De acordo com um comunicado acessível no portal da organização (www.golosbeslana.ru) , o procurador geral da vizinha república da Inguchétia, apresentou ao tribunal de Nazran (Inguchétia) uma queixa em que se pretende que os juizes reconheçam como extremistas algumas das afirmações contidas num comunicado da “Voz de Beslan” de Novembro de 2005. No dito comunicado, a organização das vítimas do sequestro acusa o poder político da Rússia de conivência com o terrorismo, por não haver ninguém a nível das forças de segurança e das autoridades responsabilizado pelas 331 mortes (187 de crianças) que ali ocorreram. A “Voz de Beslan” aponta o dedo directamente para Putin (nós temos todo o direito de acusar o actual regime russo de conivência com o terrorismo russo e mundial...  Nenhum atentado terrorista, cometido na Rússia de Putin, foi desvendado. Dezenas de crimes graves contra a população civil, no nosso país, ficaram por castigar e continuam anónimos... Nós não temos culpa que a elite mundial apoie o nosso presidente, o qual se tornou uma garantia para os criminosos...)  A Voz de Beslan acusava ainda a Procuradoria de mentir e de cometer crimes no exercício de funções.

            Hoje, em nome da presidente da Voz de Beslan, Emma Tagaeva, foi publicada uma carta aberta ao presidente, a pedir justiça. No entanto, volta a afirmar que “nós consideramo-lo culpado da morte das nossas crianças”. Emma Tagaeva perdeu o marido e os dois filhos no sequestro da escola.

            No final de Novembro, quando estava no auge a campanha eleitoral centrada no “Plano de Putin”, Ella Kessaeva, a principal activista da Voz de Beslan, foi condenada por “crime administrativo” por uma acção de rua, em que colocaram um letreiro com a inscrição “Curso de Putin” a apontar para as ruínas da escola em que ocorreu a tragédia.

            No verão passado tive a ocasião de conversar com Emma Tagaeva e com Ella Kessaeva, em Beslan. Certamente que o sofrimento que paira sobre Beslan, e a sensação de impotência para chegara à verdade dos factos, pode levar a tons excessivamente carregados nas afirmações que fazem. Estas mulheres continuam a andar pelos tribunais e perdem sistematicamente todas as causas quer as que elas levantam, quer as que iniciam as autoridades contra a Voz de Beslan. No entanto, parece que não têm mais nada a perder. Exigir justiça tornou-se a causa das suas vidas.

            O facto curioso, ou talvez dramático, é que contra a Voz de Beslan seja usada uma cláusula da lei que foi concebida (teoricamente) para combater o terrorismo e as ideias que possam estar na sua origem, e que foi feita depois da tragédia de Beslan. Efectivamente a lei permite considerar extremistas muitas das iniciativas que visem o governo ou representantes deste. Deste modo as vítimas do terrorismo de Beslan poderão vir a ser consideradas culpadas de estar a fomentar ideias que poderiam alimentar acções terroristas.



publicado por edguedes às 17:00
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
A GEÓRGIA E AS ELEIÇÕES

 

 

            A Geórgia é uma terra que me desperta interesse. Tive algumas ocasiões de a visitar, mas confesso que não tive ainda um contacto directo com a Geórgia que se tem vindo a formar depois da “revolução das rosas”. No entanto, tenho acompanhado o que por lá se passa e estava a preparar-me para escrever alguma coisa sobre as passadas eleições presidenciais no Jornal de Notícias. Apesar disso, a certa altura, a situação pareceu-me tão confusa que achei que era melhor ficar quieto para não dizer asneiras. O motivo directo dessa inibição jornalística foi o aparecimento de uma sondagem, feito por uma organização ucraniana “Questão da Europa”, que previa a vitória na primeira volta de Levan Gatchetchiladze, com mais de 30%, e Mikhail Saakachvili, só com pouco mais de 16%, viria só em terceiro, atrás do milionário Badri Patarkatsichvili. Ou era uma sensação ou era uma vigarice. Parecia-me difícil acreditar que Gatchetchiladze, que eu tinha tido ocasião de ouvir directamente numa tele-conferência de imprensa, com um programa político que era essencialmente acabar com o regime presidencial na Geórgia, pudesse ter uma vantagem tão grande. Por outro lado, as sondagens fazem-se com critérios rigorosos, e podem ter erros de 2-4%, ou então não são sondagens, são tentativas de manipulação. No dia das eleições, a “Questão da Europa”, insistiu em apresentar resultados das sondagens à boca das urnas, que davam a vitória a Gatchetchiladze, enquanto as outras, financiadas pela televisão estatal, apontavam para uma vitória com pouco mais de 50% do presidente Saakachvili. A possível explicação destas discrepâncias, li-a hoje num artigo da “Novaia Gazeta”, onde se conta que o trabalho da “Questão da Europa” tinha sido encomendado pelo controverso  milionário (e intriguista) russo Boris Berezovski, amigo e parceiro de negócios de Badri Patarkatsichvili. As outras sondagens foram encomendadas, em tempo recorde, por quatro canais de televisão que apoiam o regime actual, depois da “Questão da Europa” ter publicado as suas primeiras previsões.

            Parece-me interessante focar ainda uma questão abordada pelo José Milhazes (http://blogs.publico.pt/darussia/) e que diz respeito ao coro internacional de aprovações e semi-aprovações da maneira como decorreram as presidenciais georgianas. A OSCE, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e o Parlamento Europeu, no comunicado conjunto emitido a 6 de Janeiro afirmam que “a eleição está na linha das exigências e dos padrões da OSCE e do Conselho da Europa relativamente a eleições democráticas e legislação nacional”. Uma aprovação mais moderada veio também da parte da Comissária Europeia para a Política Externa, Benita Ferrero-Waldner, enquanto a nova presidência eslovena da UE apelou à oposição georgiana para que aceite democraticamente os resultados. A Administração do presidente George Bush, reconheceu oficialmente as eleições presidenciais georgianas como bem sucedidas.

            Apesar de os observadores estrangeiros não terem visto quase nenhumas irregularidades, parece-me difícil que se possam considerar perfeitamente normais, eleições convocadas num prazo extremamente curto, em parte do qual no país vigorava o estado de emergência e com o principal canal de televisão crítico ao governo (Imedi) sem ter autorização para funcionar durante quase todo esse período. Resulta ainda que os “out-doors” afixados em Tbilissi eram quase todos de Saakachvili e que este tinha uma preferência nos canais de televisão privados e estatais. Em plena campanha eleitoral, um dos candidatos (Badri Patarkatsichvili) foi acusado de tentar organizar um golpe de Estado, com “provas” apresentadas nos meios de comunicação e declarações ao mais alto nível. Dois dias depois das eleições, um representante da oposição na Comissão Eleitoral Central apresentou publicamente “provas” de protocolos falsificados que favoreciam Saakachvili. Todas estas circunstâncias são bastante comuns no espaço da ex-URSS e quase que se pode dizer que não são de estranhar. Já foi muito que Saakachvili tenha suspendido as funções de presidente durante a campanha eleitoral. O que é mais curioso, é que às vezes as irregularidades do mesmo tipo são consideradas suficientes para que as eleições não possam ser consideradas democráticas, outras vezes correspondem na mesma “aos padrões europeus”.

            Enquanto eu meditava sobre estas coisas, vieram à tona mais duas notícias interessantes. Uma é a acusação por parte da Procuradoria Geral da Geórgia contra Saakachvili de tentar organizar uma tentativa de golpe de Estado. Contra ele testemunha um chefe de departamento do Minsitério do Interior, Irakli Kodua, que o milionário teria tentado subornar. O momento escolhido para apresentar a acusação tem duas interpretações. A primeira, “democrática”, é que acabaram-se as eleições e acabou-se a imunidade de Patarkatsichvili. A segunda, soviética, é uma mensagem para a oposição que, ou se acalma e aceita os resultados, ou se arrisca a acabar na cadeia. Esta segunda tem um exemplo paralelo na questão do ex-ministro Irakli Okruachvili, que foi acusado de burla e abuso de poder, depois de ter feito afirmações clamorosas contra Saakachvili. Foi solto depois de ter negado o que disse, mas quando, já na Alemanha, voltou às teses iniciais, o processo adquiriu dimensões internacionais, e agora arrisca-se a ser extraditado da França para a sua Geórgia natal.

            Entretanto Saakachvili avançou já com uma proposta de englobar no governo alguns representantes dos partidos da Oposição. Alguns observadores consideram que se trata de uma manobra para tentar dividir a Oposição que continua a não aceitar os resultados.

            O jornal alemão Frankfurter Rundschau, publicou uma entrevista com o diplomata Dieter Boden, que chefia a missão do Departamento de Instituições Democráticas e Direitos Humanos da OSCE, em que este teria admitido “violações grosseiras, negligência e factos de falsificações intencionais”, e que “na Comissão Eleitoral reina o caos”. Mais tarde, a missão de observadores da OSCE na Geórgia, desmentiu e afirmou que o jornal tinha distorcido as palavras de Boden, e que a avaliação continuava a ser a mesma de que as eleições tinham decorrido “num clima de livre concorrência e tinham sido leais”.

            Por seu lado a Oposição, pela boca de Tina Khidacheli, afirma que dispõem de provas de que os protocolos foram falsificados em 17 círculos eleitorais e que podem provar que 110 mil votos votam “acrescentados” a Saakachvili, o que corresponderia a 6% dos resultados. Ontem a Comissão Eleitoral Central anulou os resultados de quatro mesas de voto. A Oposição prepara uma manifestação “de 100 mil pessoas”, em frente ao parlamento. O município de Tbilissi autorizou.


publicado por edguedes às 17:16
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