as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
O VELHO AFGANISTÃO

 O Afeganistão continua a ser tema quase diariamente. Já algumas vezes trouxe aqui algumas contribuições russas, ora o embaixador russo em Cabul a dizer que "a NATO e os amricanos estão a repetir os erros soviéticos e a criar alguns novos", ora opiniões de vetereranos do Afeganistão que dizem mais ou menos a mesma coisa. Li recentemente um texto de Eça de Queirós sobre o mesmo tema (em Cartas de Inglaterra) e não resisto à tentação de o trancrever quase todo. Aqui vai

 

"Os inglezes estão experimentando, no seu atribulado imperio da India, a verdade d'esse humoristico logar-commum do seculo XVIII: «A Historia é uma velhota que se repete sem cessar.»

O Fado ou a Providencia, ou a Entidade qualquer que lá de cima dirigiu os episodios da campanha do Afghanistan em 1847, está fazendo simplesmente uma copia servil, revelando assim uma imaginação exhausta.

Em 1847 os inglezes, «por uma razão d'Estado, uma necessidade de fronteiras scientificas, a segurança do imperio, uma barreira ao dominio russo da Asia...» e outras coisas vagas que os politicos da India rosnam sombriamente, retorcendo os bigodes—invadem o Afghanistan, e ahi vão aniquilando [2]tribus seculares, desmantelando villas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; collocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e, logo que os correspondentes dos jornaes têm telegraphado a victoria, o exercito, acampado á beira dos arroios e nos vergeis de Cabul, desaperta o correame e fuma o cachimbo da paz... Assim é exactamente em 1880.

No nosso tempo, precisamente como em 1847, chefes energicos, Messias indigenas, vão percorrendo o territorio, e com grandes nomes de Patria e deReligião, prégam a guerra santa: as tribus reunem-se, as familias feudaes correm com os seus troços de cavallaria, principes rivaes juntam-se no odio hereditario contra o estrangeiro, o homem vermelho, e em pouco tempo é todo um rebrilhar de fogos de acampamento nos altos das serranias, dominando os desfiladeiros que são o caminho, a entrada da India... E quando por alli apparecer, emfim, o grosso do exercito inglez, á volta de Cabul, atravancado de artilharia, escoando-se espessamente, por entre as gargantas das serras, no leito secco das torrentes, com as suas longas caravanas de camelos, aquella massa barbara rola-lhe em cima e aniquila-o.

Foi assim em 1847, é assim em 1880. Então [3]os restos debandados do exercito refugiam-se n'alguma das cidades da fronteira, que ora é Ghasnat ora Candahar: os afghans correm, põem o cerco, cerco lento, cerco de vagares orientaes: o general sitiado, que n'essas guerras asiaticas póde sempre communicar, telegrapha para o viso-rei da India, reclamando com furor reforços, chá e assucar! (Isto é textual; foi o general Roberts que soltou ha dias este grito de gulodice britannica; o inglez, sem chá, bate-se frouxamente.) Então o governo da India, gastando milhões de libras, como quem gasta agua, manda a toda a pressa fardos disformes de chá reparador, brancas collinas de assucar, e dez ou quinze mil homens. De Inglaterra partem esses negros e monstruosos transportes de guerra, arcas de Noé a vapor, levando acampamentos, rebanhos de cavallos, parques de artilharia, toda uma invasão temerosa... Foi assim em 1847, assim é em 1880.

Esta hoste desembarca no Industão, junta-se a outras columnas de tropa india, e é dirigida dia e noite sobre a fronteira em expressos a quarenta milhas por hora; d'ahi começa uma marcha assoladora, com cincoenta mil camelos de bagagens, telegraphos, machinas hydraulicas, e uma cavalgada eloquente de correspondentes de jornaes. Uma manhã avista-se Candahar ou Ghasnat;—e n'um momento, é aniquilado, disperso no pó da planicie, o pobre [4]exercito afghan com as suas cimitarras de melodrama e as suas veneraveis colubrinas do modelo das que outr'ora fizeram fogo em Diu. Ghasnat está livre! Candahar está livre! Hurrah!—Faz-se immediatamente d'isto uma canção patriotica; e a façanha é por toda a Inglaterra popularisada n'uma estampa, em que se vê o general libertador e o general sitiado apertando-se a mão com vehemencia, no primeiro plano, entre cavallos empinados e granadeiros bellos como Apollos, que expiram em attitude nobre! Foi assim em 1847; ha-de ser assim em 1880." ...

 



publicado por edguedes às 18:28
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UNIÃO EURO-ASIÁTICA

 

 

 

O Cazaquistão pretende tornar-se membro da União Europeia. Quem o anunciou, como uma coisa séria, foi o embaixador do Cazaquistão na Rússia, Adilbek Djaksibekov. “Gostaríamos no futuro de aderir à UE, não como a Estónia e a Letónia, mas como um parceiro de iguais direitos”, disse o diplomata, que vê a posição do seu país na UE como “uma região auto-suficiente”. Ele acha que a Rússia não tem razões para se preocupar com esta ideia e até que “quanto mais ligações o Cazaquistão tiver com a UE, tanto melhor para a Rússia”. No entanto, o embaixador admite que não vai ser durante o actual regime, de Nursultan Nazarbaev. Isto coloca os planos de integração do diplomata num futuro distante, dado que, ao que parece, Nazarbaev não tem nenhuma intenção de abandonar o cargo num horizonte próximo. O facto de o Cazaquistão não ser Europa mas um país decididamente asiático, não cria nenhum embaraço ao embaixador. Bastaria mudar o nome da UE para “União Euro-asiática”. Se a ideia pegasse, até podia ser que o candidato seguinte fosse a China...

 

O Cazaquistão tem uma área de 2,7 milhões de km2, uma população de 16 milhões, e a economia baseia-se na exploração do gás e do petróleo.

 



publicado por edguedes às 09:32
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009
UM SINAL DE PRIMAVERA?

 

O tribunal do bairro de Preobrajenski, em Moscovo, concedeu ontem a Svetlana Bakhmina a liberdade condicional antecipada, baseando-se no facto que cumpriu mais de metade da pena e nas características positivas apresentadas pela direcção do estabelecimento prisional. Entretanto Bakhmina ainda não saiu em liberdade, mas espera-se que hoje ou nos próximos dias possa finalmente voltar a casa.

Svetlana Bakhmina é a primeira figurante do caso Yukos que é posta em liberdade, depois da liberdade antecipada lhe ter sido recusada por duas vezes por motivos pouco sérios (infracção da disciplina da colónia penal em que se encontrava). Ela estava a ter, nos últimos tempos, um tratamento especial, depois do nascimento da filha em Dezembro do ano passado, visto que se encontrava, não na prisão, mas num estabelecimento de saúde civil, na região de Moscovo (o lugar não foi revelado). Segundo alguns observadores isto era já um prenúncio, de que as autoridades estavam dispostas a ter uma atitude benevolente em relação à ex-jurista da Yukos. No entanto, permanece ainda a dúvida se a libertação de Bakhmina é “um sinal de primavera” na justiça russa, ou se ela poderá ainda ser utilizada como testemunha no processo contra Khodorkovski, visto que, até 2011, se vai manter como “refém” dos sistema penal.

Não se deve esquecer que houve já um outro sinal positivo, que foi o de Vassili Alexanian, que era o chefe de Svetlana Bakhmina no departamento jurídico da Yukos, a quem foi concedido a liberdade provisória antes do julgamento, devido ao seu estado de saúde. Alexanian sofre de SIDA em grau adiantado e foram-lhe diagnosticadas outras doenças graves, pelo que o julgamento foi adiado. No entanto, para não estar algemado à cama do hospital, Alexanian teve de pagar 50 milhões de rublos (cerca de 1,1 milhões de euros, ao cambio actual).

A juíza que decidiu conceder a liberdade a Svetlana Bakhmina, declarou que “o tribunal considerou que Bakhmina tinha reconhecido a sua culpa, estava arrependida, e que durante o período de castigo não tinha sanções disciplinares, além de ter filhos menores”. Adiantou ainda que a ex-jurista da Yukos “não representava nenhum perigo para a sociedade e por isso não era necessário que cumprisse o resto da pena”.

Uma pergunta que fica para quem assiste a estes factos de fora é o que significa “reconheceu a sua culpa”. Até agora todos os condenados a penas de prisão no caso Yukos não se reconheceram culpados das acusações de que eram alvo. O segundo processo, que actualmente está a decorrer contra Mikhail Khodorkovski e contra Platon Lebedev, mais uma vez é caracterizado pelo facto que os réus afirmam que as acusações não têm nenhuma base real. Durante uma sua recente intervenção no decorrer do processo, Khodorkovski pediu uma série de esclarecimentos, “para decidir como elaborar a defesa, se em base jurídica ou psiquiátrica”.  



publicado por edguedes às 14:51
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009
JULGAMENTO SOBRE O CASO DE SVETLANA BAKHMINA

 

 

Conforme foi divulgado hoje em Moscovo, o requerimento apresentado pelos advogados de Svetlana Bakhmina, para que lhe seja concedida liberdade provisória antecipada, vai começar a ser tratado num tribunal de Moscovo (do bairro Preobrajenski) no próximo dia 21. Svetlana Bakhmina é um dos casos clamorosos que fazem parte do caso Yukos, e foi condenada a 6,5 anos de cadeia por desvio de fundos e fuga ao fisco, como tantos outros altos funcionários da companhia de Mikhail Khodorkovski. Há algum tempo atrás, numa “conversa”, na Rádio Svoboda (Rádio Liberdade), com o advogado Guenri Resnik (um dos advogados de maior reputação de Moscovo), tive a ocasião de perguntar o que pensava sobre a justiça do caso Bakhmina. Resnik considera que o caso é único, e que ela foi privada dos seus direito por três vezes, independente da justeza ou não de ter sido considerada culpada. Segundo Resnik, a pena de 6,5 anos é uma coisa rara. “Para cima de 5 anos, dão-se normalmente anos inteiros”, diz o advogado, mas se lhe tivessem dado 6 anos ela seria abrangida por uma amnistia, dado que não é culpada de crimes violentos. Daí a razão do que Resnik chama uma pena dada com rigor de “dose farmacêutica”. O advogado afirma que no caso de condenações a mães com filhos menores, e não referentes a crimes que envolvem violência, a lei prevê que a pena possa ser suspensa até que os filhos atinjam a idade dos 14 anos. A Bakhmina isso foi recusado. Tendo actualmente cumprido metade da pena, e tendo em conta a situação familiar, era quase automático que se concedesse a liberdade provisória antecipada, tanto mais que Bakhmina engravidou durante uma licença precária e deu à luz a terceira criança. A liberdade porvisória antecipada foi já recusada por duas vezes. Resnik explica a atitude dos tribunais com o facto de que Svetlana Bakhmina é “diferente”, porque ela trabalhava no departamento jurídico da Yukos “e esta abreviatura tem o selo do inimigo”.

Segundo alguns observadores, a não concessão da liberdade provisória antecipada pode estar ligada ao facto de que está a decorrer o novo processo contra Khodorkovski e Lebedev, e não se pretende dar sinais de afrouxamento na pressão sobre este caso. No entanto, agora há novamente o benefício da dúvida. Dia 21 o caso vai ser novamente debatido no tribunal.

 



publicado por edguedes às 10:10
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009
QUEM MATOU IAMADAIEV?

 

 

As autoridades do Dubai acusam personagens da “elite” que actualmente governa a Chechénia de estarem por detrás do assassinato de Sulim Iamadaiev.

No dia 28 de Março, foi vítima de um atentado no Dubai, Sulim Iamadaiev, tenente-coronel do exército russo, ex-comandante do batalhão “Vostok” (Oriente), estacionado na Chechénia, uma das estruturas militares que não se encontra sob jurisdição do poder local, ou seja que não está submetida directamente a Ramzan Kadirov. De acordo com alguns observadores, o batalhão “Vostok” foi criado com base na gente fiel ao clã Iamadaiev. Sulim Iamadaiev passou à reserva pouco depois da guerra na Ossétia do Sul (Agosto de 2008), onde ele e os homens do “Vostok” tiveram a sua quota-parte. Antes disso os conflitos entre Iamadaiev e Kadirov tinham-se tornado notórios, alternando-se os momentos em que se chegou a trocas de tiros e detenções entre forças do “Vostok” e forças da presidência local, com “pactos” de convivência mais ou menos pacífica. Os Imadaiev constituem uma das famílias mais influentes de Gudermess, a segunda cidade chechena, onde, no Outono de 1999, Akhmad Kadirov (pai do actual presidente da Chechénia) conseguiu negociar com o comando do exército russo (general Trochin), para que a cidade não fosse tocada. Os Iamadaiev, que representavam uma força notável na cidade, foram participantes do plano de Kadirov. Mas com Ramzan as coisas foram-se azedando. Sulim não é o primeiro dos Iamadaev a morrer sem ser de morte natural. Em Setembro do ano passado, foi morto a tiro no centro de Moscovo, o irmão mais velho, Ruslan Iamadaiev. Um outro irmão, que também fazia parte do batalhão “Vostok” foi morto durante uma operação no sul da Chechénia (Vedeno).

Depois de vários dias de investigações, detenções e interrogatórios, a polícia do Dubai diz ter chegado a algumas conclusões, prendeu dois homens, um iraniano e um tadjique, e emitiu mandados de captura relativos a um cidadão do Cazaquistão e três russos. Mas o mais relevante é que afirma ter chegado à conclusão de que o crime foi encomendado por Adam Delimkhanov, deputado na Duma de Estado da Rússia e figura próxima de Ramzan Kadirov. O nome de Delimkhanov tinha já sido citado aquando do assassínio de Ruslan Iamadaiev e de um outro inimigo de Ramzan Kadirov, morto em Moscovo à cerca de 3 anos e meio, Movladi Baissarov.

Os argumentos dos investigadores do Dubai para fazerem a acusação a Delimkhanov só são conhecidos em parte. Um dos detidos, teria confessado que a arma utilizada no crime tinha sido dada por um elemento da guarda de Delimkhanov. A polícia do Dubai afirma ainda que não conseguiu obter colaboração por parte das autoridades chechenas, o que poderia confirmar que estas não estariam interessadas em que se chegasse ao termo da investigação.

A questão é que, se se confirmarem as suspeitas das autoridades do Dubai, esta pode ser mais uma peça du puzzle, para se perceber o esquema de vários outros crimes, que se cometeram contra inimigos do actual regime checheno. Recorde-se ainda o assassinato, na Áustria de Umar Israilov, ex-elemento da guarda de Kadirov, em Janeiro deste ano, que se tinha manifestado disposto a referir crimes que tinha visto. E não podemos deixar de recordar que, no caso de Anna Politkovskaia, a pista não confirmada em tribunal, mas apresentada pelas investigações, também apontava para a Chechénia.

Por enquanto, o assassinato de Iamadaiev ainda apresenta mais perguntas do que respostas, mas se a polícia do Dubai conseguir avançar nas investigações, pode ser que se iluminem várias outras histórias.

 

 



publicado por edguedes às 13:00
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Quinta-feira, 2 de Abril de 2009
OS QUADROS DO PATRIARCADO

 

Uma das primeiras coisas que o Patriarca Kirill prometeu, quando foi entronizado, foi que não iria proceder a reformas na Igreja Ortodoxa Russa. A maioria da hierarquia russa é conservadora e não vê com bons olhos o que possa vir da sociedade civil ou, pior ainda, do Ocidente, de influência católica e protestante. As reformas temidas que o Patriarca prometeu não fazer, são provavelmente a “língua” e o “calendário”. No que respeita a reformas estruturais, depois do Sínodo que se reuniu esta semana, pode-se dizer que estas já começaram. O patriarca Kirill conseguiu colocar pessoas da sua confiança nos lugares estratégicos e, nalguns casos separar competências que antes estavam concentradas na mesma pessoa. O caso mais evidente é o do Departamento das Relações Externas do Patriarcado de Moscovo, que era dirigido antes pelo próprio Kirill. O novo chefe é Ilarion, anteriormente bispo de Viena, provavelmente uma das figuras mais próximas de Kirill. Mas deve-se dizer que é também uma das figuras da hierarquia russa mais formadas (estudou em Oxford), com uma vasta experiência em vários países europeus e que pode ser uma peça importante no caminho para uma maior abertura. No entanto, Ilarion não ficou com “todo” o Departamento das Relações Externas. Resolveram criar outros três sectores que retiram algumas das imensas competências que tinha o Departamento de Relações Externas, que antes significava todo o tipo de relações fora da Igreja Ortodoxa Russa, desde as relações com o Estado, até às outras religiões, passando pelas relações com as outras Igrejas cristãs, etc. Agora há um “departamento para as relações entre a Igreja e a sociedade”, um “secretariado” para as representações da Igreja Ortodoxa russa no estrangeiro, e um “departamento de informação”. Todas estas organizações ficaram sob a direcção de pessoas que já antes tinham trabalhado directamente com Kirill. Por outro lado, o metropolita Kliment, que foi o directo concorrente de Kirill na eleição a patriarca, e que represente uma corrente mais conservadora da Igreja russa, foi “despromovido”. Se antes era o encarregado dos “assuntos das Igreja”, um cargo que lhe permitia administrar bens e tomar decisões, agora ficou com o “departamento editorial” do patriarcado. Como comentavam alguns observadores, com uma famosa citação dos tempos soviéticos, “os quadros decidem tudo”. Quanto a reformas... o futuro o dirá.


música: Igreja Ortodoxa Russa; Kirill

publicado por edguedes às 20:13
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Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
AGRESSÃO A LEV PONOMARIOV

 

 

Era uma das primeiras notícias de hoje de manhã. Lev Ponomariov, presidente da organização “Pelos Direitos Humanos”, foi espancado à porta de casa por desconhecidos (dois ou três, depende das versões). Limitaram-se a bater-lhe, dar-lhe pontapés, e nem uma palavra que pudesse dar a entender os motivos. Não levaram dinheiro, nem tinham a intenção de roubar a vítima. Levaram-lhe um telemóvel, talvez como troféu, e outro destruíram-no propositadamente. Lev Ponamariov tem 68 anos, e um longo currículo como defensor dos direitos humanos, desde os tempos soviéticos. Foi um dos fundadores da associação “Memorial” e foi colaborador de Andrei Sakharov, quando este foi eleito deputado em 1989. Ponomariov continua a ser um dissidente a denunciar as injustiças que ocorrem na Rússia de hoje. Há poucas dúvidas de que a agressão esteja ligada à sua actividade como defensor dos direitos humanos. Ponomariov regressava a casa, na terça-feira à noite e, conforme descreve a filha, a advogada Elena Liptser, nesse momento foi atacado por alguns homens que o agrediram brutalmente. Ele regressava de um encontro com a deputada da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE), Sabine Leutheuser-Schnarrenberger, a qual se encontra de visita a Moscovo, no decurso de um trabalho para apresentar um relatório sobre as repressões políticas na Rússia. Esta deputada foi a relatora do caso Yukos na APCE. Talvez convenha também referir que Elena Liptser é advogada de Platon Lebedev, que está a ser julgado juntamente com Mikhail Khodorkovski.

Numa declaração emitida pela organização “Memorial” afirma-se que se “a participação das estruturas do Estado na agressão a Ponomariov exigiram a apresentação de provas, mas a atmosfera de impunidade, que tornou possíveis este tipo de agressões, sem dúvida, foi gerada pelas actuais autoridades russas”. Nos últimos anos foram vários os casos de agressões a defensores de direitos humanos, jornalistas e opositores. Em Dezembro de 2007 e em Janeiro de 2009, dois elementos do partido Nacional Bolchevique foram espancados até à morte. Em Novembro de 2008, foi agredido o director do jornal “A Verdade de Khimki” que se encontra ainda no hospital em estado grave (várias operações e uma perna amputada). Em Março foi agredido o redactor de um jornal local dos arredores de Moscovo, que criticava as autoridades locais. O recurso à força parece continuar a afirmar a sua eficácia na Rússia de hoje.

 



publicado por edguedes às 22:01
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