as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Domingo, 25 de Janeiro de 2009
À ESPERA DO PATRIARCA

 

Em Moscovo, na catedral de Cristo Salvador, rodeada de um impressionante aparato policial, iniciou-se o processo de eleição do novo patriarca da Igreja Ortodoxa Russa. Estava previsto que o concílio do bispos se reunisse hoje e amanhã, para eleger três candidatos que serão propostos ao concílio da Igreja Local. O processo revelou-se mais rápido do que se esperava e por volta das 18.30 já eram conhecidos os três nomes entre os quais deverá sair o do novo patriarca. Os bispos reunidos eram 198, e o nome mais votado, com 98 votos, foi o do metropolita Kirill, responsável pelo departamento das relações externas da Igreja russa, e actualmente a exercer funções de chefe da Igreja. Seguiram-se os do metropolita Kliment, responsável pelo departamento de assuntos internos do Patriarcado, com 32 votos, e o do metropolita Filarete, de Minsk, com 16, votos.

Pode-se dizer que a votação trás poucas surpresas. O metropolita Kirill é a figura de maior relevo da Igreja russa, com evidente capacidade de comunicação e dotes de estratego. Aparece frequentemente na comunicação social, e o cargo que ocupava proporcionou-lhe um enorme leque de relações. No entanto, alguns observadores consideravam que, sobretudo entre os representantes da hierarquia ortodoxa russa, não faltavam os que estavam contra ele, acusando-o de ser pro-ecuménico e até filo-católico. Deste ponto de vista, o abundante número de votos que recebeu, parece indicar que deverá contar com um largo apoio no concílio da Igreja local que se reúne no dia 27. Neste participam, não só os bispos, mas também, representantes das academias teológicas, e representantes do clero e do laicado de cada diocese, e de algumas paróquias no estrangeiro. No total vão ser mais de setecentos eleitores. Portanto, o resultado não é garantido, mas é mais provável que, sobretudo entre os leigos e pessoas menos ligadas à política interna da Igreja, o nome do metropolita Kirill prevaleça. Ele foi a figura central nas principais celebrações do Natal (a 7 de Janeiro, segundo o calendário juliano), foi quem dirigiu os trabalhos de preparação dos actuais concílios e foi quem fez o discurso de introdução aos trabalhos do concílio dos bispos. 

Na sua intervenção, o metropolita Kirill sublinhou os factos importantes para a Igreja, ocorridos nos últimos sete meses (em junho tinha havido um concílio dos bispos regular). Quase todos os facto citados tinham ligação ao seu trabalho e ao do departamento de relações exteriores. Delongou-se bastante sobre o risco de “cisma” da Igreja da Ucrânia, quando em Julho passado, por altura das comemorações dos 1020 anos do baptismo da Rússia (ou da Rus para não confundir com o conceito actual de Rússia), em que houve uma tentativa de convencer o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu, a apoiar a auto-cefalia de Kiev. Segundo Kirill, foram as diligências atempadas de Moscovo que impediram o “cisma”. Deve-se dizer que os representantes da Igreja da Ucrânia, ligados ao Patriarcado de Moscovo, participam nos actuais concílios e, ao que parece, não avançaram nenhumas propostas com vista à auto-cefalia. O metropolita de Kiev, Vladimir, foi o quinto mais votado, com 10 votos.  

 

 

Entretanto, na rua, junto à catedral de Cristo Salvador, alguns jovens faziam uma espécie de manifestação, sem que se percebesse muito bem para quê e para quem. Dois grupos, estavam no território da catedral, para lá dos cordões de polícia, e com um certo tipo de distintivos, donde se percebia que estavam devidamente autorizados pelas estruturas da Igreja. Os cartazes com frases do tipo “que o Espírito Santo indique um patriarca digno”, ou “fora da Igreja não há salvação”, eram feitos segundo um modelo único, donde se percebia que, como quase todas as manifestações na Rússia, não se trata de uma iniciativa espontânea. Um grupo maior destes manifestantes, foram colocar-se defronte da catedral, junto ao monumento a Friedrich Engels, que parecia o líder dos manifestantes. 

 

 



publicado por edguedes às 17:04
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