as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
MÃES DE BESLAN ENFRENTAM PROCESSO

 

 

 

Foi aberto um processo administrativo contra Ella Kessaeva dirigente do movimento “Voz de Beslan”, devido a uma acção de protesto “provocatória”. Parentes das vítimas da tragédia que ali ocorreu há três anos na Escola Nº1, colocaram em frente ao que resta do edifício da escola, uma “sinal de trânsito” que apontava para aquela com o dístico “Curso de Putin”.

Ella Kessaeva é acusada de ter “usado indevidamente e de iniciativa própria” a berma da estrada, ou seja de ter colocado um sinal de trânsito sem autorização.

            No clima de campanha eleitoral que se vive na Rússia, o “plano de Putin” e o “curso de Putin” fazem parte dos argumentos centrais do partido Rússia Unida, cuja lista de candidatos ao parlamento é encabeçada pelo presidente. As representantes da “Voz de Beslan” e das “Mães de Beslan”, protestavam contra o apoio dado por um sector de jovens da Ossétia do Norte ao “Curso de Putin”.  “Durante o seu mandato deu-se não só Beslan, mas também muito outros atentados terroristas. Ninguém foi castigado, não há investigações objectivas, vê-se só a cobertura dos criminosos e tribunais corruptos – tudo isso se chama curso de Putin”, declarou Ella Kessaeva, numa declaração publicada no portal da organização.

            Ella Kessaeva tem já uma longa experiência de andar pelos tribunais. Em Agosto, durante uma curta permanência na Ossétia do Norte, tive a ocasião de a conhecer e de constatar o seu espírito batalhador. A “Voz de Beslan” é um movimento mais aguerrido do que as Mães de Beslan”, e talvez mais político. Funciona numa sala de uma casa particular, porque o escritório que tiveram foi-lhes retirado. Ella considera que a culpa do desfecho trágico do sequestro da escola é em grande parte das autoridades russas ao mais alto nível, e trabalha em continuação para o demonstrar. Movem processos contra funcionários e polícias e, em geral, perdem. No último dia em que falou connosco tinha uma sessão no tribunal contra um oficial da polícia da Inguchétia que, na opinião das “mães”, teve culpas no acesso dos terroristas a Beslan. Também dessa vez perderam a causa. Mas Ella diz que não pára. “Com fundamento, nós podemos afirmar que é o presidente Putin que não deixa investigar. Nós esperamos que ele não tenha o terceiro mandato, dado que pela Constituição ele não pode, e nós estamos a preparar documentos, para apresentar na Procuradoria, e veremos o que é que dali vai sair. Nós queremos demonstrar que perante a lei todos são iguais. Este foi um crime concreto do presidente”, afirmou naquela altura Ella Kessaeva.



publicado por edguedes às 16:33
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