as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
AGRESSÃO A LEV PONOMARIOV

 

 

Era uma das primeiras notícias de hoje de manhã. Lev Ponomariov, presidente da organização “Pelos Direitos Humanos”, foi espancado à porta de casa por desconhecidos (dois ou três, depende das versões). Limitaram-se a bater-lhe, dar-lhe pontapés, e nem uma palavra que pudesse dar a entender os motivos. Não levaram dinheiro, nem tinham a intenção de roubar a vítima. Levaram-lhe um telemóvel, talvez como troféu, e outro destruíram-no propositadamente. Lev Ponamariov tem 68 anos, e um longo currículo como defensor dos direitos humanos, desde os tempos soviéticos. Foi um dos fundadores da associação “Memorial” e foi colaborador de Andrei Sakharov, quando este foi eleito deputado em 1989. Ponomariov continua a ser um dissidente a denunciar as injustiças que ocorrem na Rússia de hoje. Há poucas dúvidas de que a agressão esteja ligada à sua actividade como defensor dos direitos humanos. Ponomariov regressava a casa, na terça-feira à noite e, conforme descreve a filha, a advogada Elena Liptser, nesse momento foi atacado por alguns homens que o agrediram brutalmente. Ele regressava de um encontro com a deputada da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE), Sabine Leutheuser-Schnarrenberger, a qual se encontra de visita a Moscovo, no decurso de um trabalho para apresentar um relatório sobre as repressões políticas na Rússia. Esta deputada foi a relatora do caso Yukos na APCE. Talvez convenha também referir que Elena Liptser é advogada de Platon Lebedev, que está a ser julgado juntamente com Mikhail Khodorkovski.

Numa declaração emitida pela organização “Memorial” afirma-se que se “a participação das estruturas do Estado na agressão a Ponomariov exigiram a apresentação de provas, mas a atmosfera de impunidade, que tornou possíveis este tipo de agressões, sem dúvida, foi gerada pelas actuais autoridades russas”. Nos últimos anos foram vários os casos de agressões a defensores de direitos humanos, jornalistas e opositores. Em Dezembro de 2007 e em Janeiro de 2009, dois elementos do partido Nacional Bolchevique foram espancados até à morte. Em Novembro de 2008, foi agredido o director do jornal “A Verdade de Khimki” que se encontra ainda no hospital em estado grave (várias operações e uma perna amputada). Em Março foi agredido o redactor de um jornal local dos arredores de Moscovo, que criticava as autoridades locais. O recurso à força parece continuar a afirmar a sua eficácia na Rússia de hoje.

 



publicado por edguedes às 22:01
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