as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Quinta-feira, 2 de Abril de 2009
OS QUADROS DO PATRIARCADO

 

Uma das primeiras coisas que o Patriarca Kirill prometeu, quando foi entronizado, foi que não iria proceder a reformas na Igreja Ortodoxa Russa. A maioria da hierarquia russa é conservadora e não vê com bons olhos o que possa vir da sociedade civil ou, pior ainda, do Ocidente, de influência católica e protestante. As reformas temidas que o Patriarca prometeu não fazer, são provavelmente a “língua” e o “calendário”. No que respeita a reformas estruturais, depois do Sínodo que se reuniu esta semana, pode-se dizer que estas já começaram. O patriarca Kirill conseguiu colocar pessoas da sua confiança nos lugares estratégicos e, nalguns casos separar competências que antes estavam concentradas na mesma pessoa. O caso mais evidente é o do Departamento das Relações Externas do Patriarcado de Moscovo, que era dirigido antes pelo próprio Kirill. O novo chefe é Ilarion, anteriormente bispo de Viena, provavelmente uma das figuras mais próximas de Kirill. Mas deve-se dizer que é também uma das figuras da hierarquia russa mais formadas (estudou em Oxford), com uma vasta experiência em vários países europeus e que pode ser uma peça importante no caminho para uma maior abertura. No entanto, Ilarion não ficou com “todo” o Departamento das Relações Externas. Resolveram criar outros três sectores que retiram algumas das imensas competências que tinha o Departamento de Relações Externas, que antes significava todo o tipo de relações fora da Igreja Ortodoxa Russa, desde as relações com o Estado, até às outras religiões, passando pelas relações com as outras Igrejas cristãs, etc. Agora há um “departamento para as relações entre a Igreja e a sociedade”, um “secretariado” para as representações da Igreja Ortodoxa russa no estrangeiro, e um “departamento de informação”. Todas estas organizações ficaram sob a direcção de pessoas que já antes tinham trabalhado directamente com Kirill. Por outro lado, o metropolita Kliment, que foi o directo concorrente de Kirill na eleição a patriarca, e que represente uma corrente mais conservadora da Igreja russa, foi “despromovido”. Se antes era o encarregado dos “assuntos das Igreja”, um cargo que lhe permitia administrar bens e tomar decisões, agora ficou com o “departamento editorial” do patriarcado. Como comentavam alguns observadores, com uma famosa citação dos tempos soviéticos, “os quadros decidem tudo”. Quanto a reformas... o futuro o dirá.


música: Igreja Ortodoxa Russa; Kirill

publicado por edguedes às 20:13
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