as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
NATÁLIA ESTEMIROVA

 

  

 

 

 

Passou-se menos de meia-hora desde que apareceu no portal “newsru.com” a notícia, dada em tom de alarme pelos seus colegas do “Memorial”, de que Natália Estemirova tinha sido raptada em Grozny, e a trágica notícia de que o seu corpo tinha sido encontrado na Inguchétia, com dois tiros (pelo menos). Desde 1998 que Natália Estemirova se dedicava à defesa dos direitos humanos. Fez filmagens do bombardeamento do mercado de Grozny, um dos primeiros massacres da segunda guerra chechena, e investigou o bombardeamento de uma coluna de refugiados. Denunciou algumas “operações de limpeza” levadas a cabo pelas forças federais, como em Novi Atagui, em Março de 2000, onde conseguiu entrar apesar do estreito controle das forças federais. Natália Estemirova resistiu à guerra e à situação de pós-guerra em que a Chechénia estava em “regime especial de luta contra o terrorismo”. Não resistiu à Chechénia “pacífica”, em Grozny que Ramzan Kadirov diz ser mais segura do que a maioria das cidades europeias. O facto é que Natália continuava a denunciar. Dizia que o número de desaparecidos está a aumentar. Denunciou recentemente o caso de uma execução pública na povoação de Akhkintchu-Borzoi. Desde o início deste ano os defensores dos direitos humanos contaram 35 casos de “desaparecimentos” na Chechénia. Ultimamente Natália Estemirova investigou o caso de Madina Iunussova, de 20 anos, mulher de um suposto rebelde, morto numa operação militar recente. O corpo de Madina foi entregue à família acompanhado de ameaças, e com ordem para a enterrarem “sem barulho”. Segundo Alexandre Tcherkassov do “Memorial”, o assassinato é encarado “como vingança por parte dos elementos das forças”. Natália Estemirova tinha colaborado com Anna Politkovskaia na denúncia de crimes, nomeadamente cometidos por um oficial de alcunha “Kadet”, cujo caso foi levado a tribunal. “Ela trabalhava na Chechénia e o seu trabalho irritava as autoridades da república da Chechénia”, comentou Tcherkassov.
Existem vários indícios de que pessoas que “irritam” as autoridades chechenas, desaparecem. A justiça, pelas razões mais variadas tem dificuldade em chegar ao seu objectivo. O caso de Anna Politkovskaia continua por esclarecer. Iamadaev, o militar que comandava o “Batalhão Oriente”, e que escapava ao controle de Kadirov, foi morto no Qatar, depois de ter sido demitido. As autoridades do Qatar, acusaram Adam Delimkhanov, deputado e colaborador directo de Kadirov. Obviamente, as autoridades russas não entregaram Delimkhanov, que continua activo e ao que parece dirige até operações militares na Chechénia e na Inguchétia. O Cáucaso tem as suas leis próprias. Moscovo conseguiu um certo tipo de convivência com a “nova elite” da Chechénia e não tem intenções de estragar o arranjo por um caso ou outro de alguém que ficou pelo caminho, sobretudo se escolheu um caminho de denunciar injustiças.

 



publicado por edguedes às 22:27
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