as coisas que conta um português que anda pela Rússia
Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008
ATAQUE DE CONSCIÊNCIA

Vassili Alexanian vai ser internado numa clínica especializada. A notícia veio do gabinete de Imprensa da direcção dos serviços prisionais russos que afirma que “com base num conselho médico e nas recomendações de especialistas... foi decidido o internamento do réu numa das clínicas especializadas”. Alexanian vai ser mantido sob custódia, dado que o tribunal não aceito o pedido da defesa de alterara a medida de prisão preventiva, mas poderá (espera-se) receber tratamento adequado. O conselho médico confirmou que além de SIDA em fase adiantada, o ex-dirigente da Yukos sofre de um cancro do sistema linfático. Por seu lado, Mikhail Khodorkovski suspenderá a greve de fome assim que se confirmar a decisão agora anunciada pelos serviços prisionais.

            Na segunda-feira, o processo de Alexanian retomou com mudança dos (das) juizes(as). Em vez da juíza que tinha recusado os argumentos da defesa relativos ao estado de saúde de Alexanian, o tribunal passou a ser dirigido por um colégio de 3 juízas. A mudança de atitude parece ter sido quase imediata e ontem foi tomada a decisão de suspender o processo para tratamento do réu. Vê-se que a crise de consciência contagiou também os serviços prisionais, que aceitaram o que estavam a recusar há ano e meio, não obstante três decisões do Tribunal Europeu para os Direitos Humanos, no segundo semestre do ano passado. Há cerca de 15 dias, numa conferência de Imprensa, o dirigente do movimento “Pelos Direitos Humanos”, Lev Ponomariov, afirmou que era importante fazer o caso Alexanian chegar até aos ouvidos de Putin, comentando que algumas decisões não se tomam porque os funcionários não conseguem ter o “sim” do Kremlin. O caso Yukos está certamente sob controle dos colaboradores do Kremlin. Não é de excluir que “tantas” decisões positivas em tão pouco tempo tenham sido possíveis graças à linha telefónica do Kremlin se ter desentupido.

            Alexanian é acusado de “furto de bens” da companhia petrolífera Tomskneft, e de “furto de acções” da companhia petrolífera VNK, num valor de 330 milhões de euros, e de “lavagem de dinheiro obtido por vias ilegais”. Os factos de que é acusado referem-se ao período de 1998-99, quando ele era chefe do departamento legal da Yukos. Estas acusações já foram utilizadas para condenar Svetlana Bakhmina, vice-chefe do mesmo departamento legal. Além disso, Alexanian é ainda acusado de fuga ao fisco. Alexanian afirma-se inocente e tem feito denuncias do sistema judicial da Rússia afirmando que os processos contra os dirigentes da Yukos são “uma profanação do direito”, “colaboradores da companhia, sem nenhuma culpa são acusados e condenados”.


publicado por edguedes às 11:33
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