as coisas que conta um português que anda pela Rússia

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
INGUCHÉTIA INSTÁVEL

 Na agitada república da Inguchétia continuam a passar-se coisas que alimentam a instabilidade. O caso mais em foco é o da morte de Mogamed Evloev. A notícia oficial que apareceu (já há dois dias), foi a respeitante às conclusões das investigações sobre a estranha morte da figura mais saliente da oposição ao poder local. O conteúdo das conclusões da Procuradoria foi divulgado pelo advogado de Evloev, Magomed Abubatarov. Recorde-se que Evloev foi detido à saída do avião que o trazia de Moscovo, e foi deixado, pouco depois, à porta do hospital, com um tiro na cabeça. Pois bem, os procuradores chegaram á conclusão que Mogamed Evloev, foi ferido na cabeça por um tiro disparado involuntariamente da pistola de um dos guardas que o levavam. A pistola seria a de Ibraguim Evloev (tem o mesmo apelido do que a vítima mas não é parente), o qual foi deixado em liberdade sob compromisso de não deixar o território. O nome coincide com o que já tinha sido anunciado pelos familiares e colegas de Magomed Evloev, que levaram a cabo investigações por sua conta. Deve-se ainda acrescentar que Ibraguim Evloev não é propriamente um polícia qualquer, mas o chefe da guarda pessoal do ministro do Interior da Inguchétia, Mussa Medov. Porque é que era o chefe da guarda pessoal do ministro que devia efectuar a detenção do expoente da oposição, é outra questão que está por esclarecer. Segundo Iakhia Evloev, pai de Mogamed, o autor do disparo já tinha precedentemente ameaçado o seu filho, e o facto de ele se encontrar entre os homens que deviam levar a cabo a detenção, é uma prova do que a acção foi premeditada.

 

            Numa entrevista que apareceu hoje do portal do qual era proprietário Mogamed Evloev, o ex-presidente da Inguchétia, Ruslan Auchev, fez alguns comentários à situação que se vive naquela república. “O assassinato de Evloev é político”, afirma de forma muito directa Auchev, considerando que os motivos da eliminação do representante da oposição foram “a sua actividade, em primeiro lugar o portal, do qual ele era proprietário”. “Se a situação fosse normal, no mínimo era preciso suspender o ministro do Interior durante o período em que decorrem as investigações”, afirma o ex-presidente. Considera que uma das causas dos problemas da Inguchétia é o sistema que actualmente vigora na Rússia, em que os governadores são nomeados pelo presidente. “Quando se é nomeado, olha-se só para cima, defendem-se os interesses dos que estão em cima, e os que estão em baixo não interessam”. Numa entrevista precedente, à rádio “Ecos de Moscovo”, Auchev tinha afirmado que na Inguchétia há “elementos evidentes de uma guerra civil lenta”. “A pressão violenta provoca em resposta outra pressão violenta e a sociedade está-se a radicalizar, sobretudo a juventude”. 



publicado por edguedes às 14:10
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

24
25
26
27
28
29

30
31


posts recentes

INGUCHÉTIA INSTÁVEL

arquivos

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Novembro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

tags

todas as tags

links
blogs SAPO
subscrever feeds